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segunda-feira, 14 de maio de 2012

“Amou a Virgem Maria”



Não temos certeza absoluta quanto a data do nascimento de Santo Antônio, mas aqueles que procuraram escrever sua vida dizem que foi no dia 15 de agosto de 1195. Não estaria essa data relacionada ao amor que nosso santo tinha à Mãe do Senhor. 15 de agosto é a solenidade da Assunção da Virgem Maria.
Não se pode negar a devoção que Santo Antônio tinha à Mãe de Jesus. Dizem que ele faleceu com o nome de Maria nos lábios, pois, desde criança aprendeu a invocá-la e em toda sua vida foi-lhe profundamente devoto. Encontramos seis sermões de Santo Antônio dedicado à Virgem Maria e neles a homenageia com títulos admiráveis: “Trono místico de Cristo”, “Trono de marfim pela sua brancura, ao qual se sobe pelos seis degraus das virtudes marianas: vergonha, prudência, modéstia, constância, humildade e obediência”. Antônio também compara Maria ao lírio, a um vaso de ouro, à oliveira, ao cipreste, ao arco-íris e à porta do céu. Também à chama de nova Ester.
Santo Antônio tem afirmações profundas em que encontramos o mistério da Virgem Maria sempre relacionado com o de Jesus Cristo: “A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus”. “Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde! Senhor dos anjos e súdito dos homens! O Criador do mundo obedece a um carpinteiro, o Deus de eterna majestade se submete a uma Virgem”.
Outra afirmação interessante é esta: “Maria não só deve ser louvada por ter trazido no ventre o Verbo de Deus, mas também é bem-aventurada porque realmente guardou os preceitos de Deus”.
A reflexão que Santo Antônio faz sobre Nossa Senhora é profundamente enraizada na bíblia, na pessoa de Jesus e na missão da Igreja.
De Santo Antônio temos muito o que aprender sobre o seu amor à Mãe de Jesus.
“Tendo as numerosas virtudes brilhado de modo excelente em Maria Santíssima, a humildade superou-as a todas. Por isso, quase esquecendo as restantes, coloca à frente a humildade, dizendo: 'Olhou para a humildade de sua serva”.
Que o amor de Santo Antônio à Virgem Maria, Mãe de Jesus, nos ajude a anunciar aquilo que a própria Maria proclamou no Magnificat: “Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48).
Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil http://www.ofmsantoantonio.org/historiaSantos/santoAntonio3.html

Oração: (De Santo Antônio a Maria)


Rainha nossa, insigne Mãe de Deus, nós te pedimos: faze com que nossos corações fiquem repletos da graça divina e resplandeçam de alegria celeste. Fortalece-os com a tua fortaleza e enriquece-os de virtudes. Derrama sobre nós o dom da misericórdia, para que obtenhamos o perdão de nossos pecados. Ajuda-nos a viver de modo a merecer a glória e a felicidade do céu. Amém!

 PEQUENOS E FRACOS COMO MARIA
• Deus resolveu começar tudo com uma mulher, jovem, solteira, pobre, noiva de um carpinteiro, moradora de um vilarejo tão miserável que nem constava dos mapas de Israel. Uma criatura para a qual nenhum poderoso iria olhar.
• O Deus da Bíblia trabalha, com predileção, justamente com o pobre, o pequeno, o fraco, o desprezado. Seu Filho seria o filho desta mulher, uma mulher pobre numa aldeia no fim do mundo. Os auxiliares imediatos de seu filho seriam pescadores por quem ninguém daria nada.
• É fundamental entendermos esse sentido de ser virgem: não pertencer a ninguém, não contar nada como elemento constituinte do povo, não ser nada. É disso que Deus precisa para começar a fazer um contemplativo, porque é dessa massa que Ele faz um Cristo.
• Essa pobreza, esse “nada” da Mãe de Jesus é importante na contemplação de Francisco e Clara, que exatamente aí fundamentaram toda sua vida de recolhimento e ação. Ser pobre de tudo para ser rico de Deus, como Maria, era o grande sonho de Francisco e Clara e a realização de sua alegria. UNIDOS AO ESPÍRITO COMO MARIA
• Essa virgem de Nazaré era mais uma figura do Povo, paralela daquela menina enjeitada, símbolo de Jerusalém, que alguém tinha jogado no lixo da cidade e estava para ser devorada pelos corvos se Deus não a recolhesse, como disse o profeta Ezequiel (Ez 16, 1-15). É Maria, símbolo da Esposa bíblica que é o miserável povo de Israel, que Deus convidou para ser Mãe unindo-se ao seu próprio Espírito.
• A história dessa enjeitada que virou rainha é a história de cada um dos contemplativos: o Espírito de Deus age como um vento irresistível, construindo Maria dentro de cada um. Maria do silêncio, que sabia “conferir as coisas em seu coração” (Lc 2,52): é a visão contemplativa que abrange o mundo.
• Francisco e Clara contemplam Maria em integração perfeita com a Santíssima Trindade: filha, mãe e esposa.  Antífona do Ofício da paixão: “Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós, filha e serva do altíssimo Rei e Pai celestial, Mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo”.
• Contemplação toda pelos olhos e extremamente concreta, objetiva. A Maria que Francisco e Clara conhecem não tem nada de teorias e não se perde no mundo dos conceitos: é um espelho prático em que enxergam a atuação do Espírito de Deus. Assumem as atitudes de Maria frente a Deus, e como ela, concebe, gera e dá a luz à Palavra de Deus, dando-lhe vida e forma.
• Porque a devoção de Francisco e Clara para com Maria foi justamente essa: aprender a acolher o Cristo para dá-lo à luz do mundo, com eles e em sua casa, Maria se tornou Mãe de toda a família franciscana. MÃE DA HUMANIDADE COMO MARIA
• Maria gerou o corpo de Jesus de Nazaré e gera o espírito de cada um dos filhos de Deus até ficarem parecidos com o Primogênito de Deus. É através dela que cada um e todos juntos constituem o Cristo Místico, em seu Corpo, a Igreja.
• Maria mostra como se humaniza Deus e se diviniza o homem. Nela, a humanidade acolheu Deus e nela Deus é humanidade. Aquele pequenino envolto em fraldas, aquela criança com as feições de Maria, que com ela aprendeu a falar e a andar é Deus feito homem, transformação da história dos homens.
• Francisco e Clara contemplavam em Maria o mistério da encarnação, sem separar Jesus de sua Mãe. Porque, sem essa mulher, o Cristo seria um maravilhoso salvador sem bases históricas (humanidade), pois é nela que se encontram a divindade e a humanidade.
• Clara se comove porque “tão grande e glorioso Senhor quis descer ao seio da Virgem” (1Ct IP, 19).  Francisco transborda de reconhecimento pela mulher que tornou possível a descida de Deus e da qual “recebeu verdadeiramente, em seu seio, o corpo da nossa frágil humanidade” (C. Fiéis 1,4). NA MISSÃO DE DEUS COM MARIA
• A contemplação da vida de Maria parece ter alimentado toda a vida evangélica de Francisco e Clara: ela foi a primeira criatura humana a acolher o Reino de Deus. Essa é a base de toda a missão, pois Maria ensina tanto a acolher o Reino de Jesus como a fazê-lo nascer no coração de cada um.
• Francisco recordava Nossa Senhora como uma missionária percorrendo estradas com Jesus e os apóstolos. Ele a via pobre como Jesus, mas também como senhora e rainha como seu Filho será rei e senhor. Maria, nossa irmã, representou toda a humanidade acolhendo a Redenção.
• Francisco e Clara plantaram entre seus filhos e filhas a convicção do Reino no coração dos desprotegidos, justamente por serem tão unidos à Mãe do Povo de Deus. Foi Maria quem os ensinou a partir do vazio da pobreza, unir-se a Deus no mais perfeito amor e ser “mães” de cada um dos pequenos seguidores de Jesus, ricos do seu sonho do Reino da Boa Nova. Esse sonho é possível a todos, porque na verdade o Reino de Deus começa no coração de cada um.
CONCLUSÃOPARA REFLETIR E MEDITAR• Da contemplação de Maria, Francisco e Clara descobriram um caminho, um modo de ser e de viver. Minha vida de oração/contemplação está me conduzindo por um caminho de comunhão mais verdadeira com Deus, com as pessoas e com as criaturas?• A oração/contemplação conduz necessariamente à conversão, ao seguimento e à configuração com Cristo. Ele está vivendo em mim? Sou capaz de descobri-lo, servi-lo e amá-lo nas pessoas e situações todas da vida.
 • Minha vida é um “espelho” que reflete a vida e a presença do amor de Deus? Como está meu testemunho de Cristo?
Frei Regis Daher, OFM

"Fale pouco e faça muito." 

O Silêncio de Maria       


De modo algum podemos imaginar Maria como a mulher omissa, submissa e reduzida ao silêncio. No coração da vida, a reconhecemos como a portadora e a serva da Palavra. “Do silêncio contemplativo de Maria nasce a capacidade de dizer “SIM” a Deus” (Carlo Maria Martini). É este seu “sim”, nascido no silêncio, que marca a plenitude dos tempos (Gl 4,4). Maria é a imagem e começo da nova criatura.
A grandeza de uma pessoa não se mede pelo esplendor de suas obras, nem pela quantidade de palavras, mas pela contínua, silenciosa e humilde fidelidade à sua missão, à comprometedora palavra recebida. Maria é mulher de poucas palavras. No Evangelho fala apenas quatro vezes: No anúncio do Anjo; quando entoa o magnificat; quando encontra Jesus no templo e em Cana da Galiléia.
Depois que recomendou aos servos para que fizessem o que Jesus lhes dizia, Maria se cala. Mas o seu silêncio não é ausência de voz, nem vazio de quem nada mais tinha a comunicar. Ela se torna o ventre que acolhe e cuida da Palavra. O silêncio de Maria a torna a serva da Palavra.
Um dos últimos versículos da carta de Paulo aos Romanos nos oferece uma chave de entendimento do silêncio de Maria. O texto fala de Jesus Cristo como “revelação do mistério mantido em silêncio desde sempre” (Rm 16, 25). A Palavra de Deus no seio da eternidade estava revestido de silêncio. Entrando no seio da história, é gerado no silêncio do ventre de Maria. Ela se tornou a mediadora do Verbo feito carne que veio habitar no meio de nós.
Uma das questões curiosas em relação à Maria é que nunca se ouviu falar que ela tenha saído às ruas para fazer propaganda de seu Filho, nem mesmo tenha se atrevido a dizer em público o que no aconchego de sua casa era falado ou acontecia. Um grande teólogo René Voillaume nos afirma: “A Santa Mãe não pregou publicamente. Deveis crer que ela tinha não menor desejo do que vós de tornar seu Filho conhecido. Porém escolheu o silêncio como sua maior pregação”.
Hoje nos vemos como filhos da era da comunicação e nossa comunicação é tão pobre, porque desprovida da Palavra. De muitos modos nos sentimos assediados por palavras. Circulam em nossos ouvidos tantas palavras vazias, tantas mentiras embrulhadas em verdades e tantas verdades vendidas por mentiras.
O silêncio de Maria também foi acompanhado, como o de Cristo na cruz, pelo silêncio de Deus. Para nós, também não faltam os momentos em que entramos na dura prova do silêncio de Deus, quando chegam as crises, as doenças e até mesmo a proximidade da morte. Quando o céu não responde ao nosso grito e o medo nos coloca em situação de abandono, é nesta hora que se rompe o silêncio para nos dizer palavras de amor. É ali que o grão de trigo caído na terra germina para dar frutos e o hino de Páscoa vem ressoar como possibilidade segura de um final feliz. Frei Luiz Turra, OFMCap
http://www.paroquiasantoantoniodopartenon.org/index.php/paroquia/mensagem-do-paroco/215-o-silencio-de-maria