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domingo, 18 de novembro de 2012

Celebração de Santa Isabel da Hungria no Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca



Após a realização do Bazar de Santa Isabel da Hungria nos dias 06 e 13 de novembro, os objetivos foram alcançados, com o pleno apoio de nosso assistente espiritual Frei Vitório Mazucco e dos frades responsáveis pela Portaria do Convento e com a participação das pessoas que procuram o Santuário nas terças-feiras.
Os trabalhos tiveram o objetivo da divulgação das Missões Franciscanas, incrementar a animação vocacional da Ordem Franciscana Secular e o conhecimento e divulgação da devoção à Santa Isabel da Hungria, com a arrecadação do óbolo e da renda dos dias do bazar revestidos em benefício das Missões Franciscanas.


No dia 17 de novembro às 10:00 horas no Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca foi celebrada a Eucarística em honra de  nossa padroeira que foi presidida pelo guardião do Convento Frei Ivo Müller que destacou, dentre outros aspectos, o amor de Isabel ao Cristo crucificado e a sua vida de caridade para com os órfãos, pobres e doentes.





Na sua brilhante homilia Frei Ivo falou sobre a memória de uma mulher de Deus, que devido sua vida de santidade teve o seu nome em muitas instituições de caridade e foi declarada como Padroeira da Terceira Ordem Regular (TOR) e da Ordem Franciscana Secular (OFS). Isabel da Hungria teve um casamento feliz. Seu marido era sincero, paciente, inspirava confiança e era amado pelo povo. Ele nunca colocou obstáculos à vida de oração, penitência e caridade de Isabel sendo, ao contrário, seu incentivador. O frei disse Isabel por suas virtudes foi admirada por São Francisco de Assis e que Isabel construiu na cidade de Marburgo (Alemanha) um Hospital dedicado ao tratamento de pobres e doentes leprosos. Além de ajudar com seu dinheiro muitos asilos e orfanatos, os quais visitava com frequência. Isabel começou muito cedo a distinguir-se na virtude. Em toda a sua vida foi consoladora dos pobres; a dada altura dedicou-se inteiramente aos famintos e, junto de um castelo seu, mandou construir um hospital onde recolhiam muitos enfermos e estropiados. Distribuía largamente os dons da sua beneficência, não só aos que ali acorriam a pedir esmola, mas em todos os territórios da jurisdição de seu marido, chegando ao ponto de gastar nessas obras de assistência todas as rendas provenientes dos quatro principados e vendendo por fim, para utilidade dos pobres, todos os objetos de valor e vestes preciosas.
Isabel costumava visitar duas vezes por dia, de manhã e à tarde, todos os seus doentes, ocupando-se pessoalmente dos que apresentavam aspecto mais repugnante. Dava de comer a uns, deitava outros na cama, transportava outros aos ombros e dedicava-se a todo o gênero de serviço humanitário.



Entre os participantes da celebração, além dos irmãos da Fraternidade de Santo Antônio do Largo da Carioca, estiveram presentes o irmão ministro Antônio Alves e vários irmãos da Fraternidade de Nossa Senhora da Paz, do bairro de Ipanema, a irmã Valéria Pinheiro, ministra da Fraternidade de São Francisco da Penitência do Largo da Carioca e a irmã Paulina, ministra da Fraternidade Apóstolo São Pedro, do bairro carioca de Cavalcante.





Ao final da celebração, Frei Ivo Müller abençoou as rosas e pães que foram distribuídos para todos os presentes.
Oremos para que Santa Isabel da Hungria nos proteja e seja sempre para nós, leigos franciscanos, o exemplo a seguir no caminho do fraternismo universal e da caridade para com nossos irmãos mais necessitados, vitimados por qualquer tipo de exclusão. 





sábado, 17 de novembro de 2012

Festa de Santa Isabel da Hungria, Padroeira da OFS - Ordem Franciscana Secular



Dela disse o Cardeal Ratzinger Arcebispo de Munique, atual Papa Bento XVI:
O que fez foi realmente viver com os pobres. Desempenhava pessoalmente os serviços mais elementares do cuidado com os doentes: lavava-os, ajudava-os precisamente nas suas necessidades mais básicas, vestia-os, tecia-lhes roupas, compartilhava a sua vida e o seu destino e, nos últimos anos, teve de sustentar-se apenas com o trabalho das suas próprias mãos. (…)
Deus era real para ela. Aceitou-o como realidade e por isso lhe dedicava uma parte do seu tempo, permitia que Ele e sua presença lhe custassem alguma coisa.  E como tinha descoberto realmente a Deus, e Cristo não era para ela uma figura distante, mas o Senhor e o Irmão da sua vida encontrou a partir de Deus o ser humano, imagem de Deus. Essa é também a razão por que quis e pôde levar aos homens a justiça e o amor divinos. Só quem encontra a Deus pode também ser autenticamente humano. (Da homilia na igreja de Santa Isabel da Hungria de Munique, em 2 de dezembro de 1981).

Isabel deu-se inteiramente ao serviço dos pobres.  Ela viu a pessoa de Cristo em todas essas pessoas. Ela banhava e cuidava dos doentes, curava suas feridas e os colocava para a cama. Ela preparou seus medicamentos, brincava com as crianças, cuidava das mulheres grávidas e de seus filhos, levou os pobres para comer em sua mesa e sentar-se a seu lado. Ela e suas irmãs (as quatro servas de Isabel, Guda, Isentrude, Isabel e a viúva Irmengarda) visitavam os pobres e distribuíam todos os alimentos que tinha. Para ganhar dinheiro para o hospital, Isabel girou lã. Elizabeth ficou mal para os últimos anos de sua vida e morreu pobre, como aqueles a quem ela ministrou.

Oitocentos anos depois, o exemplo de Santa Isabel da Hungria continua a ser uma inspiração para leigos e religiosos franciscanos, pessoas casadas, mulheres grávidas, para os pobres e doentes, de fato para todos, que no século 21 desejam viver uma vida dedicada ao amor de Deus e de serviço ao próximo.
Papa Gregório IX, em sua bula 1235 intitulada Jesus Filius, escreve: "[Isabel] demonstra um amor que não é fechado em si mesmo, mas que é iluminado de cima e aberto a pessoas humildes, para os famintos e doentes com quem queria ser mãe e irmã durante a participação em seus sofrimentos e, pessoalmente, tentar aliviá-los. Ela queimou-se para fora como um meteoro em apenas 24 anos de idade, mas ela deixou uma marca indelével”.
Kathleen Gilmour - Veja a íntegra do artigo em http://www.franciscanstor.org/template.aspx?id=2342


 As Rosas



Diz a Sagrada Escritura do Salvador que se fez pobre para enriquecer-nos. Justamente neste ponto, Santa Isabel revelava-se verdadeira discípula e imitadora do Senhor: descia, espiritualmente, do trono, a fim de conhecer a pobreza e envidava todos os esforços para melhorar o estado dos necessitados. S. Francisco de Sales a chama, por esta razão, pobre na riqueza e rica na pobreza.
Todo o dinheiro que recebia empregava-o em prol dos pobres, e quando, apesar dos recursos que a caridade do marido lhe punha à disposição, não tinha mais que dar, desfazia-se dos seus vestidos, no intuito de aliviar os infelizes.
Como o caçador apaixonado não se deixa deter de seguir a pista da caça nem pelo mau tempo nem por obstáculo algum, assim Isabel caçava os pobres. Nem a distância nem as dificuldades do caminho a embaraçavam; sabia que não há coisa que fortifique tanto a caridade como a indagação profunda das misérias humanas na sua parte material e positiva. Por trilhos íngremes e ínvios subia, carregada de víveres e outros objetos indispensáveis, em busca das cabanas dos indigentes. Embora repugnantes pela imundície e insalubridade, a Santa penetrava nesses asilos da pobreza com uma certa devoção e, ao mesmo tempo, familiaridade, qual raio de sol a espalhar luz e calor benfazejos, imune dos efeitos do desasseio, cujas sombras ia dissipando. E não só repartia entre os desafortunados as esmolas corporais, como os consolava também por suaves e afetuosas palavras.
Reconhecendo que estavam endividados e sem meios de satisfazer as dívidas, Isabel se encarregava de pagá-las à sua custa. Muitíssimas vezes, oferecia-se a famílias muito pobres para ser madrinha dos filhinhos recém-nascidos, tencionando, pela maternidade espiritual, obrigar-se a amá-los e cuidar deles durante toda a vida.
Conta-se entre as obras de misericórdia a de enterrar os mortos. Claro é que não se entende com isto, exclusivamente, o que faz o coveiro, mas tudo quanto o cristão consagra ao irmão defunto. Aumenta o valor desta misericórdia, se é prestada a um pobre; pois, enquanto*os homens, em geral, acodem em massa ao enterro de um rico e fidalgo, menosprezam, facilmente, o pobre, mesmo depois da morte ainda, acompanhando-lhe muito poucos os restos mortais até a última morada.
Isabel, pelo contrário, com preferência ia, quando lhe era possível, velar junto dos pobres falecidos, envolvia-os, com suas mãos, em lençóis do próprio leito e assistia-lhes ao enterro, seguindo, com humildade e recolhimento, o simples esquife do último dos seus súbditos, como se o morto fosse um parente seu.
A arte representa, ordinariamente, Santa Isabel com rosas no manto, cena que tem a sua origem numa lenda antiquíssima. Diversos autores referem o milagre das rosas ao tempo da primeira infância da Santa, conforme acima relatamos. A maioria, porém, e a tradição geral aplicam-no à sua vida conjugal e nele fazem intervir seu marido.
Gostava Isabel de levar em pessoa, ocultamente, aos pobres não somente dinheiro, mas também víveres e outros objetos que lhes destinava. Assim carregada, seguia os caminhos escarpados que do castelo conduziam à cidade.
Um dia em que, acompanhada por uma das suas criadas favoritas, descia num desvio estreito e íngreme que ainda hoje se mostra, levando no regaço pão, carne, ovos e outros comestíveis, para distribuí-los aos necessitados, viu-se, inesperadamente, face a face com o marido que voltava da caça.

Admirado de vê-la assim vergando ao peso da carga, disse-lhe:
— Vejamos o que levas aí.
E, ao mesmo tempo, abriu contra a vontade de Isabel, o manto que ela, assustada, apertava contra o peito; mas, apenas encontrou rosas brancas e vermelhas, as mais lindas que havia já visto em sua vida: isso o surpreendeu tanto mais, quanto não era então época de flores.
O landgrave permitiu-lhe prosseguir o caminho, enquanto ele subiu ao castelo, pensando sobre o que Deus com ela fazia e trazendo consigo uma destas rosas maravilhosas, que conservou até a morte. E, a fim de perpetuar a memória do acontecimento, mandou erigir no sítio em que se deu uma coluna encimada por uma cruz.
Seja embora uma lenda, inventada em honra da santa Protetora dos pobres, como todo o mundo chamava a Isabel, verdade é que tem sempre um sentido profundo e moral. Pois, os benefícios que se prestam aos pobres pela caridade cristã, transformam-se em rosas e, entrelaçados, compõem uma coroa para o benfeitor.
Consideremos uma roseira: enraizada em solo negro e úmido, absorve daí o suco vital que, nos galhos, faz desabrochar, maravilhosamente, as folhas verdejantes e as flores multicores e perfumadas. Não havendo perfume, nem cor branca ou vermelha, nem a forma das folhas dentro da terra, e a terra que produz tudo isso, com auxílio da natureza da roseira e o sol que fornece luz e calor. Da mesma maneira, o pedaço de pão ou carne, o cálice de vinho, o feixe de lenha, o par de meias ou botinas, a camisa ou outra peça de roupa, a moeda, são, em si, objetos sem vida, sem beleza, sem valor superior, dados, porém, pelo amor de Deus, a uma pessoa necessitada, transformam-se em rosas lindas e cheirosas para o Senhor com que o próprio benfeitor, um dia, será coroado e glorificado no céu.
O cristão que dá esmola assemelha-se, pois, à roseira, porque, por seu intermédio, as coisas terrestres convertem-se nas rosas das obras de misericórdia; e o sol que nele opera e efetua a mudança das coisas terrenas e insignificantes em meritórias e agradáveis a Deus é o Espírito Santo que aquece e ilumina os corações dos cristãos.

É, portanto, como uma espécie de magnífico monumento, erigido em honra da exímia benfeitora da humanidade desventurada, Santa Isabel, que ainda hoje se cultivam roseiras em grande quantidade em torno de sua igreja na cidade de Marburgo, como também no parque do castelo de Wartburgo, onde ela residia.

A esmola será o motivo de uma grande confiança diante do Deus Supremo para todo aquele que a praticar. (Tobias, 4, 12.)
Santa Isabel da Hungria - Albano Stolz - 1 9 5 2  E d i t o r a  M e n s a g e i r o da Fé  L t d a. Salvador-Bahia  Postado por: www.alexandriacatolica.blogspot.com



Por amor de Francisco




Um outro aspecto interessante do franciscanismo de Isabel era seu empenho em fazer com que outros se interessassem por seu ideal.  Deste modo, também fizeram profissão religiosa as fidelíssimas Guta e Isentrude.  Quando, em 1228, se dirigiu a Marburgo e aí fundou um hospital, suas mais íntimas colaboradoras foram contadas entre os penitentes, vestindo o hábito cinzento.  Destas conhecemos até mesmo os nomes: Ermengarda, Isabel, Hildegunda e uma outra jovem, a quem a santa Haia presenteado com o manto.  Tem-se quase a impressão de que se constituiu uma comunidade religiosa franciscana sob a direção de Isabel.  Às nobres de Eisenach ou de Marburgo que iam à sua procura, Isabel, de bom grado, falava de Deus, incitando-as a que renunciassem à vaidade.  Se de todas não pudessem abdicar, ao menos deveriam abster-se de algumas delas.  Quando encontrava em alguma de suas ouvintes boa disposição, sugeria que fizessem o voto de castidade, depois da morte do marido.
A exortação de Isabel a uma vocação mais excelente não se dirigia somente às mulheres, mas também aos homens.  As fontes fazem alusão a algumas dessas “conversões”: o filho da marquesa Gertrudes de Leimbach tornou-se frade menor depois de uma oração feita em comum com alandgravina.  O mesmo aconteceu com o ecônomo do hospital, Henrique, filho da condessa de Weibach, e com o “camareiro” de Isabel.  Uma peculiar comunhão de vida ligava Isabel aos franciscanos.  Uma de suas ocupações preferidas, quando vivia como esposa feliz em Wartburgo, era a de confeccionar hábitos pra os frades menores.  Expulsa do castelo juntamente com as criadas Guta e Isentrude, à noite se dirigiu aos frades e pediu que se cantasse o “Te Deum”, em ação de graças a Deus.  Todas as manhãs, durante os dias da tribulação, procurava a igreja dos frades, permanecendo ali em devotíssima oração diante do Senhor.  Quando fundou o hospital de Marburgo, dedicou-o a São Francisco, que acabava de ser canonizado por Gregório IX.
Não é, pois, de admirar que autores franciscanos dos séculos XIII e XIV tenham falado sobre Isabel num tom triunfalista, talvez, referindo-se a episódios legendários.  Em sermão atribuído a São Boaventura lemos: “Isabel foi exemplo de perfeita humildade, manifestada com o coração e com o hábito dos menores, que ela vestia como eu mesmo ouvi de seu confessor e de sua serva”.  O anônimo franciscano, que escreveu uma breve vida da santa, na segunda metade do século XIII, faz este retrato de Isabel: “Depois da morte do marido, andava vestida de um hábito feito de pano áspero e todo remendado, usando uma corda rude na cintura e um manto também todo remendado e encompridado com tecidos de outras cores. Tinha os cabelos cortados e andava descalça. Parecia uma outra Clara, a mãe das pobres reclusas”.
O mesmo autor se refere a um episódio bastante edificante: “Frei Teodorico, conhecido como “o Teutônico”, religioso bom e zeloso, chegou um dia com um outro confrade a Marburgo. Pararam na praça para pedir hospitalidade em alguma casa. Precisamente naquele momento, chegou a bem-aventurada Isabel, a piedosa mãe dos frades menores.  Tendo percebido a presença dos frades, apressou-se em ir ao seu encontro para abraçá-los. Embaraçados, eles recuaram.  A homens do lugar que haviam assistido a cena perguntaram se os frades conheciam aquela mulher, ao que eles responderam negativamente.  Os homens disseram-lhes de quem se tratava e falaram do grande bem que fazia.  Enquanto estavam assim falando, viram Isabel saindo da casa, tendo escondido sob seu manto usado o vinho e o pão para os pobres.  Aproximou-se dos dois religiosos, ajoelhou-se diante deles, pedindo humildemente a permissão de lavar-lhes os pés, como havia feito o Senhor com os apóstolos na última ceia.  Os frades não permitiram e perguntaram à beata por que se tinha precipitado para abraçá-los em plena praça.  Sorrindo, ela assim respondeu: “Quando vi frades forasteiros cansados, senti uma tão grande alegria dentro de mim que não pude evitar correr ao seu encontro para abraçá-los”.
Wadding, baseando-se na mesma fonte, afirma que São Francisco teria enviado seu manto a Isabel, por sugestão do cardeal Hugolino.  Isabel tê-lo-ia tido em grandíssima consideração como preciosa relíquia. Quando estava na iminência de morrer, tê-lo-ia deixado para sua serva: “Confio-te o meu manto. Não faças caso da pobreza do tecido, mas da preciosidade da pobreza. Confesso com toda sinceridade que meu dileto Jesus costumava satisfazer meus desejos todas as vezes que, protegida por este manto, queria ver sua dulcíssima face”. Alguns frades da Ordem teutônica, mais tarde, o resgataram para consertá-lo cuidadosamente como relíquia rara. O que vem relatado seria belo demais, se verdade fosse. Tudo, no entanto, faz crer que se trata de legenda. As fontes mais autorizadas não relatam o fato. Não o menciona Jordano em sua Crônica que, em 1230, se refere a algumas relíquias de São Francisco dadas por Tomás de Celano, que os frades de Eisenach receberam em sua igreja com manifestações de grande júbilo.  

Fonte:    CADDERI, Carlo Attilio, Santa Isabel da Hungria.
                Tradução: Almir Ribeiro Guimarães, OFM.
                Rio de Janeiro. Ordem Franciscana Secular do Brasil. 2011, 1ª edição.
                Titulo Original: Santa Elisabetta d’Ungheria

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Rouxinol de Cristo



            Chegou, enfim, a pobre família a uma mesquinha taverna, cujo dono não podendo ou querendo despedi-la, deu-lhe por abrigo, apenas por aquela noite, um casebre onde guardava os utensílios da cozinha e onde dormiam os porcos.

            Mandou retirar os animais, a fim de dar lugar à duquesa de Turíngia, a princesa real da Hungria.

            Tendo se lamentado quando tudo lhe tiraram, num momento de desespero havia dito: “Só me resta orar a Deus”!

            Mas este grau de humilhação lhe trouxe, subitamente, a calma de espírito, apenas achou-se neste lugar imundo.  As lágrimas secaram e um consolo imenso lhe encheu a alma: o consolo admirável do Espírito Santo.

            Sem poder conciliar o sono, e ouvindo o sino da Igreja de São Francisco, o mosteiro que ela, em vida do esposo, havia fundado, foi até lá e assistiu ao ofício divino: as Matinas.

            E suplicou aos franciscanos que cantassem o Te Deum, em ação de graças pelas grandes tribulações que Deus lhe havia enviado.  O cântico foi executado pelos frades, e certamente agradou a Deus como lhe agradam os cânticos dos anjos.

Fonte: Livro Santa Isabel e São Luis, Rei de França - Autora: Zica Magalhães - Editora  Revista Continente Editorial Ltda, 1981

Imagem: Franceschini Marcantonio , Visione di sant'Elisabetta d'Ungheria



Letra do Hino Te Deum em Português
(a tradução é variável, sendo a oficial a contida no hinário da CNBB)
Nós Vos louvamos, ó Deus,
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora,
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus
e todas as Potestades,
os Querubins e os Serafins
Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus do Universo,
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos,
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade,
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória,
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes
a condição humana no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte
e abristes as portas do céu.
Vós estais sentado à direita de Deus,
na glória do Pai,
e de novo haveis de vir para julgar
os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor,
que remistes com vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória,
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor,
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos
e conduzi-o às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia,
Porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus,
não serei confundido eternamente.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Bazar de Santa Isabel da Hungria ajuda para as Missões Franciscanas



Realizamos com sucesso em duas terças-feiras deste mês (6 e 13) os trabalhos para o Bazar de Santa Isabel da Hungria, num serviço realizado com abnegação (Renúncia. Desprendimento do interesse próprio. Desinteresse) pelos irmãos da Fraternidade de Santo Antônio no horário de 08:00 às 19:00 horas, com os seguintes objetivos:
1.  As Missões Franciscanas (distribuição de folhetos sobre as Missões e Quadro expositivo)
2.  Animação Vocacional da OFS (distribuição de folhetos OFS e da Revista Paz e Bem)
3. Conhecimento e Divulgação da devoção a Santa Isabel da Hungria com arrecadação do Óbolo que continuará sendo recebido na Celebração Eucarística do próximo sábado 17/11 às 10:00 horas.
4.  Venda de pequenas lembranças e artigos religiosos com a arrecadação entregue ao Convento para as Missões Franciscanas.

Tivemos pleno apoio de nosso Assistente Espiritual e dos frades responsáveis pela Portaria do Convento, os objetivos foram alcançados e tivemos a aceitação e participação das pessoas que procuram o Santuário nas terças-feiras. Alguns solidários até nos ajudaram a carregar as mesas e cadeiras que utilizamos no Túnel de acesso ao Convento.  Muitos nos perguntaram se continuaríamos nas próximas terças e aprovaram a ideia do local.

Algumas pessoas compraram nossas lembrançinhas em certa quantidade para levar aos seus grupos de oração e eventos de igrejas do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.

Agradecemos a dedicação incondicional dos irmãos: Marília, Leonina, Kátia, Marco Aurélio, Francisco, Leonila e Erilson que a exemplo de nossa padroeira Santa Isabel da Hungria, trabalharam e dedicaram o tempo para que o Bazar acontecesse na terça-feira 13 de novembro de forma humilde e concreta.








segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Bazar e Promoção Vocacional da Ordem Franciscana Secular e das Missões Franciscanas




Irmãos e Irmãs,

 Paz e Bem!

No dia 6 de novembro iniciamos as comemorações de nossa Padroeira Santa Isabel da Hungria com um Bazar e promoção Vocacional da Ordem Franciscana Secular e das Missões Franciscanas realizadas pelos frades da Província da Imaculada Conceição.
Foi muito positivo e todo o povo que vai sempre as terças-feiras no Convento de Santo Antônio para receber a benção, pedir e agradecer as graças recebidas por interseção de Santo Antônio, puderam conhecer um pouco mais de Santa Isabel da Hungria, da OFS, das Missões Franciscanas, contribuir com o Óbolo de Santa Isabel, levar para casa a Revista Paz e Bem e as lembrançinhas expostas no Bazar.

Agradecemos o trabalho e disponibilidade dos irmãos da Fraternidade de Santo Antônio: Rose, Marília, Leonina, Tereza, Patrícia, Kátia, Erilson, Marco Aurélio e Francisco.  Amanhã dia 13 de novembro estaremos novamente o dia inteiro no Túnel de entrada do Convento de Santo Antônio.

No dia 17 de novembro (sábado às 10:00h) dia de Santa Isabel da Hungria, dentro da celebração da Missa continuaremos arrecadando o Óbolo de Santa Isabel que deverá ser destinado as Missões Franciscanas, bem como toda a renda que for arrecadada no Bazar.  

 Após a Missa serão distribuídos aos presentes pães e rosas.

Participem!


Vejam algumas fotos do dia 06 de novembro:















quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O saber para viver bem


O pensamento escotista está muito distante de ser um todo artificial de audaciosas sutilezas, como o acusaram os adversários ao contrário é eminentemente prático, enquanto busca conhecer e esclarecer o fim último do homem e de proporcionar-lhe os instrumentos aptos para consegui-lo.  Toda a sua especulação filosófico-teológica desemboca numa atitude existencial e de ordem prática: uma ética da ação.  Trata-se de uma moral do encontro e da existência comunicativa.

Scotus parte do princípio de que o amor divino transcendeu o infinito para vincular-se ao finito.  Em contrapartida, somente o amor humano da vontade livre poderá transcender o finito para unir-se ao infinito.  Trata-se, definitivamente, de uma ética do amor.  O Doutor Sutil pensou profundamente porque amou em profundidade, mas com um amor concreto, como ele mesmo diz: “Provou-se que o amor é verdadeiramente práxis”.  Desta práxis se compreende e se explica como o homem deve agir e viver no seu ser e estar no mundo e na sociedade.

É prático todo ato que provém do desejo da vontade, mas em condição de conformar-se à reta razão.  Isto explica claramente a conformidade da vontade a uma lei, dando-se assim uma identidade entre o prático e o normativo.  A vontade é uma potência indeterminada que se autodetermina por si mesma.  Sem dúvida a liberdade não é arbitrária nem irracional.  De fato, a vontade é o vértice do intelecto racional.  A liberdade se realiza na autodeterminação da vontade natural e racionalmente orientada ao bem.  A ação boa é aquela que corresponde a um ato da vontade conforme a reta razão.

A vontade escotista é capaz de determinar-se acima de qualquer interesse e de valorizar-se numa ética do desinteresse.  Scotus apresenta uma filosofia da liberdade dentro de uma teologia que admite a possibilidade natural de amar Deus por si mesmo e fora de qualquer interesse egoísta.
O Doutor Sutil nos oferece a esplêndida articulação de um humanismo cristão no qual o saber está a serviço do bem viver e do bom conviver, ou seja, de uma sociedade justa, pacífica e fraterna.

Fonte: Conferência dos Ministros Gerais da Primeira Ordem Franciscana e da TOR, por ocasião do encerramento do VII Centenário da morte do Beato Duns Scotus em 08 de novembro de 2008. www.franciscanos.org.br


QUEM FOI DUNS SCOTUS?

João Duns Scotus nasceu em Duns, na Escócia em 1265/1266. Em 1280 entrou na Ordem franciscana; estudou filosofia e teologia em Oxford, sendo ordenado sacerdote em 1291 em Northampton (Inglaterra). Entre os anos de 1291 e 1296, aprofundou seus estudos de teologia na Universidade de Paris. Retornando à Inglaterra, foi professor em Cambridge (1296-1300) e em Oxford (1300-1302). Foi chamado a Paris para ministrar aulas de teologia e ali permaneceu durante apenas dois anos (1302-1303), sendo obrigado a abandonar a universidade por não ter subscrito o apelo de Filipe o Belo, rei da França, contra o papa Bonifácio VIII (1303). Depois de obter o título de magister theologiae da própria Universidade de Paris, Scotus voltou a ministrar ali aulas de teologia entre 1305 e 1306. Em 1307, foi transferido para Colônia (Alemanha), vindo a falecer improvisa e prematuramente no dia 8 de novembro de 1308. Cognominado “Doutor sutil”, Scotus deixou-nos uma substancial produção literária.



Fotos: Túmulo de Duns Scotus - Alemanha - 2012 - Arquivo particular irmão Francisco Eduardo.


QUAL A IMPORTÂNCIA DE SCOTUS?

Scotus vive em um contexto desafiador e, ao mesmo tempo, extremamente fecundo. O século XIII, no qual também viveram Tomás de Aquino e Boaventura, é atravessado por duas trajetórias filosófico-teológicas bem definidas: agostiniano-boaventuriana e aristotélico-tomista. E uma única matriz polêmica a provocá-las e animá-las: o ingresso das obras de Aristóteles na universidade de Paris. Nesse contexto, Scotus assume uma postura crítica face aos pressupostos e às principais posições defendidas por ambas as escolas, revelando-se como um pensador original.Destaca-se pela fina acribia em bem discernir, o que lhe possibilitou dissipar inúmeras confusões e esmerar-se na especulação acerca das questões filosóficas e dos mistérios da fé. O Doutor sutil se caracteriza, ainda, por um raciocínio deveras singular capaz de, num cerrado diálogo com seus interlocutores, desconstruir seus argumentos e forjar conceitos e linguagem novos cada vez mais precisos e inclusivos. Com Scotus, talvez o pensamento cristão tenha atingido o mais alto vértice da especulação.

SCOTUS É AINDA ATUAL?

Scotus é filho daquele período plasticamente descrito pelo grande historiador Huizinga como “outono da Idade Média”. Fruto maduro daquela fecunda estação, ele sorveu no melhor dos modos a mais genuína seiva que corria pelos veios mais profundos dos sulcos de então, situando-se, para todos os efeitos, entre a Idade Média e a Modernidade. O “nosso tempo” parece marcado pela experiência da dissolução dos grandes sistemas, pela deslegitimação das grandes narrativas, pelo desencanto diante dos grandes projetos construídos sobre a razão, que parecia constituir um sólido alicerce. Chega-se a falar em pós-Modernidade como termo apto a exprimir o total desencanto face aos projetos totalizantes e por demais pretensiosos da Modernidade. Denominador comum a todos os projetos da Modernidade seria propriamente a “epistemologia forte”: racionalista e naturalista. No entanto, poder-se-ia dizer que a Modernidade nasce e se desenvolve num viés oposto àquele inaugurado e proposto por Scotus, em fins do século XIII e inícios do século XIV. Talvez seja essa a razão do crescente interesse, perceptível em nossos dias, por Scotus e seu pensamento.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Os meios de santificação

Por que usamos esta expressão?  Afinal, em nossos dias, fala-se ainda em santificação? É minha vez de perguntar: o que você entende por santificação? Espero que não esteja imaginando um santo do altar, com coroa brilhando sobre a cabeça, um lírio ou palma do martírio ou outro instrumento na mão.  Mas daquela santidade de que fala o Vaticano II: “... todos os cristãos, de qualquer condição ou estado, são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade, pela qual é perfeito o próprio Pai” (1).  Ou ainda, na mesma constituição: “Se, pois, na Igreja, nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade...” (2). Afinal todo o cap. V da mesma Lumen Gentium, que se intitula: Vocação universal à santidade na Igreja.  Porque esta santidade, segundo São Paulo, é o desejo do Pai: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (I Tess. 4,3).  Santidade significa, pois, o quê?

            É a graça que acolhemos em nós e a fazemos frutificar em nós.  Santidade não é rigorosamente alguma coisa que oferecemos a Deus, mas uma graça que Deus nos dá e que nós acolhemos.  Só Deus é santo.  Nossa santidade é participação desta santidade de Deus.  Nossa santidade não é o final de alguma coisa, o término de uma evolução.  Santidade está em nós, a carregamos conosco, nós a vamos edificando no correr de nossa vida.  É o encontro com Deus, com um Deus que está em nós, que age em nós, que vive em nós.  Um Deus, como diz o próprio Senhor no Evangelho, um Deus que veio a nós e fez morada em nós.  E de nossa parte é a entrega total a este Deus.

            O caminho para realizar esta santidade é o seguimento de Cristo, o Cristo do Evangelho, que a São Francisco apareceu como o amor que se faz homem e por isso deve ser o centro e a razão de todo o amor.  Um Deus que se faz criatura.  Um Deus que se faz pobre.  Um Deus que se fez visível entre nós.  Que falou claro no Evangelho.  No fundo, o segredo mesmo de toda a santidade é o AMOR. Deus é amor e vem ensiná-lo ao homem.  O homem convidado a amar responde com amor.  Quem ama está em Deus e Deus está nele, diz São João.

            Por isso, as exigências do Evangelho, como as compreendeu São Francisco, não são um amontoado de coisas extraordinárias, fora do comum, sobreumanas.  Mas uma perfeita harmonia com a vontade do Senhor, que aparece, nos apelos que nos são dirigidos, no dia-a-dia de nossa vida.  São as bem-aventuranças que devem ser traduzidas no nosso relacionamento diário, com toda a simplicidade e toda a naturalidade, num esforço continuado de imitar a Cristo.  Por isso, a constante pergunta: Senhor, que quereis que eu faça?  E as coisas e os homens e os acontecimentos e a voz de Deus que fala em nós nos vão mostrando o que devemos fazer.

            São Francisco, lendo o Evangelho, descobriu sua forma de vida.  Ele nada mais queria.  Não sentia necessidade de maiores explicações.  De mais normas.  De outras regras.  Porque, ao seu ver, quem encontrara o Cristo, que mais poderia buscar?  Se tinha a norma evangélica, que outra norma poderia substituir ou explicitar estes ensinamentos?  Poderíamos dizer: temos o Evangelho.  Vamos a ele.  De mais nada necessitamos.  Ele contém todos os meios.  È o mapa mais minucioso e mais bem traçado e sinalizado para a casa do Pai.  Tudo isso é correto.  Mas não esqueçamos que não somos feitos do mesmo estofo de São Francisco.  Apesar de nossa boa vontade, necessitamos sempre de estímulo e encorajamentos.

            Assim sendo, necessitamos, sempre de novo, rever nossas posições.  Recordar nossa finalidade.  Reexaminar nossos caminhos e nossos marcos condutores.  Daí, porque tentaremos explicitar alguns meios de santificação.  Entendendo por meio de santificação alguns pontos básicos, em torno dos quais se desenvolve nossa experiência religiosa e os quais devem estar sempre frente a nossos olhos, para que não percamos de vista nossa missão fundamental, a vontade do Pai: nossa santificação.  Não podemos esgotar estes meios, dando uma lista completa dos mesmos.  Nem pretendemos que os apresentados por nós sejam os indispensáveis.  Apenas queremos elencar alguns meios que nos parecem sumamente necessários para que tenhamos claro nosso objetivo e sintamos que estamos seguindo os passos de São Francisco, porque é fundamental para nós franciscanos viver o Evangelho dentro do espírito com que o viveu São Francisco.  Vamos, pois, a estes meios: vida em fraternidade; o apostolado; a oração; a meditação; leitura; vida sacramental e as devoções.

Fonte:

Espiritualidade Franciscana Secular – Documentos Franciscanos XIII pág.18/19 – CEFEPAL – Brasil – 1974.

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