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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Santo Antônio de Santana Galvão, arauto da Paz e da Caridade



Depois  do parto, ó virgem permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós

O nosso santo franciscano Santo Antônio de Santana Galvão, frei Galvão – primeiro santo brasileiro, foi ordenado Sacerdote em 1762 e passou a completar os estudos teológicos no Convento de São Francisco, em São Paulo, onde viveu durante 60 anos, até à sua morte ocorrida a 23 de Dezembro de 1822. A vida de Frei Galvão foi marcada pela fidelidade à sua consagração como sacerdote e religioso franciscano, e por uma devoção particular e uma dedicação total à Imaculada Conceição, como «filho e escravo perpétuo». Além dos cargos que ocupou dentro da sua Ordem e na Ordem Terceira Franciscana, ele é conhecido, sobretudo como fundador e guia do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como 'Mosteiro da Luz', do qual tiveram origem outros nove mosteiros. Além de Fundador, Frei Galvão foi também o projetista e construtor do Mosteiro que as Nações Unidas declararam Patrimônio cultural da humanidade. Enquanto ele ainda vivia, em 1798 o Senado de São Paulo definiu-o «homem da paz e da caridade», porque era conhecido e procurado por todos como conselheiro e confessor, além de o franciscano que aliviava e curava os doentes e os pobres, no silêncio da noite.
Frei Galvão é o religioso no qual o coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: "O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades".
Escreveu Altenfelder Silva: "Em pouco tempo, irradiou-se a fama de suas virtudes por toda a capitania, de longínquas paragens acorriam os fiéis para com ele se confessar implorar suas orações, em busca de conselhos e de conforto espiritual". Frei Basílio Rower assim o descreve: "um religioso que encheu a cidade com o esplendor de virtude, que beneficiou muitas localidades da capitania com sua assistência (...) era procurado para confissões, para apaziguar discórdias e mesmo para arranjos de negócios temporais, pois além de zeloso era sábio e prudente". Podemos dizer com Frei Vicente Maria Moreira: "dele ninguém se aproximava sem se retirar melhor na doce impressão de ter visto um santo, conversado com um santo, beijado as mãos sagradas de um santo", porque Frei Galvão era acima de tudo um franciscano que viveu o evangelho nas duas virtudes primordiais:

A caridade e a paz.

A notícia da escolha de frei Galvão como um dos patronos nos alegrou a todos como família franciscana do Brasil, haja vista que a história deste país está intimamente ligada com a história dos franciscanos nestas terras. Vale lembrar que a primeira missa rezada na Ilha de Vera Cruz foi celebrada pelo frade franciscano Frei Henrique de Coimbra e que o nosso citado frei Galvão foi ordenado presbítero na cidade do Rio de Janeiro.
Nós, franciscanos de todo o Brasil, estamos nos preparando ativamente para esta jornada, e agora podemos contar com a intercessão deste grande homem, grande santo, arauto da paz e da caridade.

            www.casadefreigalvao.com.br 

Foto: Fonte de Frei Galvão na cidade de Quaratinquetá/SP - arquivo particular

FRANCISCANOS (lista de reprodução)


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Cantiga por irmã Clara

O retiro anual da Fraternidade



Estamos em pleno mês de outubro – “mês missionário” como o nominou o nosso querido Frei Vitório Mazzuco do Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca, que fica no centro “nervoso” da cidade do Rio de Janeiro. 

Estamos no dia 20 de outubro de 2012, 13h00min, num sábado que parece verão e esperando ansiosamente uma van que alugamos e que nos levará para o tão esperado retiro dos irmãos franciscanos da nossa Fraternidade, rumo ao encontro de nossas Irmãs Clarissas do Mosteiro de Santa Clara em Nova Iguaçu/RJ.

O grupo é de 30 pessoas distribuídas na van, nos carros e moto que já estão confirmadíssimos para o evento.

A Casa de Betânia, das Irmãs Clarissas de Nova Iguaçu, é para mim um local de acolhimento e paz, onde estive por mais de uma vez em busca de alento para meu corpo e minha alma e só nesta casa consegui vislumbrar melhor um caminho para me encontrar com os ensinamentos deixados por Francisco e Clara de Assis.


"Não perca de vista o seu ponto de partida." Santa Clara de Assis

Estar no retiro falando de Santa Clara é reforçar a presença transparente da mulher mística e santa, que se revela em Santa Clara de Assis e de seus mais de oitocentos anos, é estar, também, em “contato espiritual” com todos os que por ali passaram e ajudaram a construir aquele local santo e que já não mais se encontram entre nós ou mesmo não puderam confirmar a sua presença tão sentida de outros encontros passados...

“Clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima nas virtudes... Não temos o direito de ficar exigindo uma sociedade melhor se o melhoramento não tiver início conosco mesmos! Só tem o direito de criticar, quem tem a coragem de construir.” Mais ou menos dessa forma começou o nosso retiro... Com palavras iniciais proferidas pelo nosso assistente espiritual, Frei Vitório Mazzuco,OFM.

Clara de Assis começou sua “aventura espiritual” construindo novos caminhos e novas pontes para aproximar as pessoas num tempo em que as mulheres não eram tão respeitadas como pessoas... num tempo que passamos a chamar de medieval e confiando na presença do Senhor e no sacrário e no ostensório, Clara conseguiu expulsar os sarracenos de seu convento.

Tivemos uma pequena pausa para apreciar um cafezinho com biscoitos...




Em prosseguimento, Novamente num momento de retiro espiritual, o grupo ficou deveras encantado com tudo o que o frei discorreu lindamente e nos momentos de reflexão e cantorias em homenagem à Santa Clara.








Teve outro momento inteiramente de descontração, quando o frei pegou o seu violão e, com bastante desenvoltura, começou a discorrer um farto repertório do cancioneiro popular que foi de Djavan com seu Meu Bem Querer, Tim Maia no seu Azul da Cor do Mar, Marcos Valle com sua Viola Enluarada, Dicró em sua Praia de Ramos, Nélson Gonçalves em sua Volta do Boêmio, Luiz Vieira com seu Menino Passarinho, O samba da Ilha do Governador de 1978... O Amanhã (como será o amanhã?), Adoniran Barbosa com o seu Trem das Onze, Dolores Duran preparando a Noite de Meu Bem, além do inesquecível Cartola com O Mundo é Um Moinho e outras muitas canções que, por pura imperfeição minha não consigo agora lembrar; depois..., depois mais ensinamentos sobre esta Santa tão mística... e terminamos a reflexão extasiados e prontos para um novo amanhã que já se anunciava...


Tomamos nossa sopa de ervilha, um chá de capim limão e uns biscoitos e fomos subindo as escadas com aquela musiquinha que não saía da cabeça...  Clara, Ô Clara Me diga porque Que foi que Francisco falou pra você.  Clara, Ô Clara Me diga por que Que foi que Francisco falou pra você...

E assim... tão rápido como trocar o relógio para mais um “horário brasileiro de verão” terminou o primeiro dia do retiro e quem quiser que conte a sua impressão porque estou com sono. Por Erilson, Simpatizante da OFS.


Cantiga por Irmã Clara . Zezinho, scj 



Clara, Ô Clara 

Me diga porque 

Que foi que Francisco falou pra você


Clara, Ô Clara 

Eu quero entender 

Por que deste mundo te foste esconder 

Tu tinhas dinheiro, vivias feliz 
Igual as meninas que havia em Assis 
Será que Francisco te enfeitiçou 
Que tão de repente teu mundo mudou 

Eu tinha dinheiro, vivia feliz 
Igual as meninas que havia em Assis 
Mas foi Jesus Cristo quem me cativou 
Francisco somente o caminho mostrou 

Eras bonita de classe maior 
Teu pai era nobre, patrão e senhor 
Será que esta vida não era viver 
Que tão de repente te foste esconder 

Eu era bonita de classe maior 
Mas eu tinha sonhos de algo melhor 
Será que esta vida é viver e morrer 
Um dia por fim eu por ti fui viver 

Deixaste o dinheiro tranqüila e feliz 
E foste viver num mosteiro de Assis 
Será que perdeste a razão de viver 
Tão jovem e tão bela não dá pra entender 

Deixei o dinheiro tranqüila e feliz 
E fui me trancar num mosteiro de Assis 
Deixei o que eu tinha passei a viver 
Que a vida é bem mais que a minha mania de ter 

Clara, Ô Clara 
Já posso entender 
Porque deste mundo te foste esconder 

Coragem de Sonhar 1984 


O domingo 21 de outubro, começa com a preparação para a celebração da Santa Missa, onde teremos novo encontro com nossas irmãs Clarissas e com toda a Comunidade local diante do Cristo da Baixada e nossa Mãe Maria Santíssima.












Após a Missa retornamos todos juntos para a Capela do Mosteiro para uma nova reflexão com Fr. Vítório sobre o tema da Unidade, com a presença de nossas irmãs Clarissas.  








Ao final foi distribuída uma pequena lembrança deste dia e cantamos para nossas irmãs.

SAN DAMIANO

1 - Parlami, Gesù parlami (2x)
Come un giorno parlasti a Francesco.

Ho bisogno di Te, Gesù
Ho bisogno di Te, Gesù
Ho bisogno di Te, di Te Gesù

2 - Guardami, Gesù guardami (2x)
Come un giorno guardasti Francesco.
3 - Amami, Gesù amami (2x)
Come un giorno amasti Francesco
4 - Cambiami, Gesù cambiami (2x)
Come un giorno cambiasti Francesco
5 - Mandami, Gesù mandami (2x)
Come un giorno mandasti Francesco





  

Encerrado o retiro, nosso irmão simpatizante Erilson, tirou a foto oficial e seguimos para um momento livre para apreciar a natureza local, convívio fraterno e aguardar a hora de ser servido o delicioso almoço preparado com muito carinho pelas irmãs cozinheiras Dalva e Conceição, tudo sob a coordenação e ajuda da irmã Rosa de Lourdes (Rose) e seu marido Nivaldo que cuidaram para que nada faltasse aos irmãos.
















Damos graças a Deus e agradecemos ao nosso Assistente Espiritual Frei Vitório Mazzuco, a nossa irmã Edite da OFS de São Paulo que mais uma vez, auxiliou nos preparativos e durante todo o retiro para que acontecesse com toda a paz necessária para nossa reflexão e recolhimento.



Ficamos felizes com a presença de irmãos e irmãs professos, da nossa irmã Wanda que mesmo diante do seus 80 anos e de grandes dificuldades de locomoção participou ativamente, todos os iniciantes e formandos da Fraternidade, nossa irmã Thereza Cristina da OFS de Petrópolis, do simpatizante Erilson, nosso fotógrafo oficial, da pequena Letícia nossa miniJUFRA que é só alegria, da Vera que pela terceira vez esteve convivendo conosco e que é paroquiana da Igreja de Santa Luzia e São Raimundo Nonato, localizada no bairro de Ramos. 

Agradecemos a acolhida de todas as irmãs Clarissas do Mosteiro de Santa Clara, a presença singela da irmã Maria. Pedimos a Nosso Senhor Jesus Cristo, com a intercessão da Virgem Maria, São Francisco, Santa Clara e de Santo Antônio pela saúde e pronto restabelecimento da Abadessa: Madre Maria Conceição da Imaculada, osc.

Sim, como é bom estar juntos Neste encontro feliz
E cantarmos com todo o fervor Relembrando as grandes coisas
Que Deus fez por nós Por Cristo nosso Senhor.

A ti ó Deus, nosso louvor! Bendito seja teu nome, Senhor (bis)

Bendito sejas por Francisco e Clara de Assis
Tomados de tanto amor Tu és a fonte da beleza,
Firmeza na dor Alegria, ternura vigor!

Nós te louvamos Com aqueles que acolhem a ti
E a nada chamam de seu; Servem aos pobres,
dão vida como Jesus Por causa do Reino de Deus!

O teu Espírito subverte O reino velho do mal
Aleluia, aleluia, Amém! Te louvam os povos, a Igreja,
nossa vida também, Agora e para sempre, Amém


"O sol nasceu.  É um novo dia.  Bendito seja Quanta alegria"!


sábado, 20 de outubro de 2012

"Vigiai, porque não conheceis nem o dia nem a hora”


Foto: Município de Abdon Batista - SC

Mt 25,13.


1.   VIGIAR: velar, estar atento, prestar atenção, tomar cuidado, ser cauteloso, ser previdente, andar com olhos abertos, não se deixar pegar de surpresa. Cristo recomenda vigilância em muitas coisas, pois tudo o que é vivido em vigília é feito acordado.  Na frase em questão, Cristo fala da vigilância que devemos manter em relação ao encontro com ele, a chegada de nosso dia de contas, pois é tirada da parábola das virgens, cinco prudentes e vigilantes e cinco doidas e descuidadas. A morte, queiramos ou não, seja qual for a ideia que fazemos do após-mote, é um episódio que se planta no meio de nosso caminho, com o qual nos encontraremos, cedo ou tarde.  Apenas questão de tempo.  Se assim é, ensina Cristo, por que viver como se ela não nos atingisse?  Por que não colocar também a morte em nossos cálculos?  A certeza de qe nos aguarda nos tornaria mais prudentes diante da forma de armazenar bens e valores, como nos forneceria a justa disposição dos valores.  Há uma série de valores, dos quais estamos convencidos, não colaborará em nada para tornar este instante menos penoso.  E há valores – está escrito dentro de nós – que facilitam este encontro, sempre carregado de perguntas e temores misteriosos.  A vigilância não é apresentada como forma de escapar à morte, mas como forma de fazermos, de antemão, as pazes com ela, para, a exemplo de São Francisco de Assis, marchar para ela como quem vai ao encontro de uma irmã.

2.   NÃO SABEMOS: se, de um lado, sabemos na certa que ela virá, do outro lhe ignoramos o momento, as circunstâncias que a acompanham.  O importante é não divisá-la como um monstro colocado a certa altura do caminho, prestes a devorar todo o nosso passado.  Ela é uma porta que dá ingresso ao local, onde nosso passado será iluminado e aparecerá como parte de um todo, como nossa colaboração a um plano global.  Iluminados e esclarecidos, veremos como Deus soube colher graças de nossos pequenos atos e vida de nossas pequenas mortes cotidianas, como positivou tanta coisa através de aparentes fracassos.  Veremos como nossos pequenos gestos mergulharam no oceano da humanidade e se tornaram poderosas torrentes a movimentar esta mesma humanidade na sua caminhada descompassada e sofrida.  Nossas lágrimas serão recolhidas, nossos suores apanhados e na taça de Deus serão uma coleção de diamantes.  A morte não é, pois, a exterminadora, mas a mão amiga a nos colocar, docemente, na soleira da casa do Pai, onde ele, de braços abertos, aguarda nosso retorno e nos introduz nos aposentos que sempre reservou para os filhos amados.  Os anos que correm devem elaborar em nós uma coexistência pacífica e fecunda com esta realidade, para que quando ela acontecer signifique o amanhecer risonho que nos introduz na luminosidade do Pai.

3.   O DIA: especificamente, a data.  Ignoramos esta data.  Não deixa, porém, de estar presente em nossas vidas.  Há muitos sinais que apontam para este dia.  Você não pode tomar sua agenda e fazer um círculo vermelho em torno da data, como nela não pode escrever: este é o meu dia.  Mas duvido que tal possibilidade fosse boa coisa.  Teu dia são todos os dias. Vive-se como se cada um fosse o último.  Último na trajetória histórica.  Último na contagem que pode ser registrada em números.  Porque [[último]] leva o sabor de algo doloroso.  De algo pesado.  De algo tristemente final.  Com o amargo de toda despedida.  Depois disso, o desconhecido, o mistério.  Para nós cristãos, último deveria soar como o derradeiro degrau de uma longa escada.  O derradeiro passo sobre um caminho exaustivo.  É o dobrar da última curva que nos oculta o verdadeiro panorama da casa paterna, com seus muros bancos e chaminé fumegante, indicando aconchego e carinho.  É aquele último espaço que ainda medeia entre mim e o Pai.  Mas... o apego de cá me enche de pena de abandonar, o pouco apego de lá me deixa temeroso de chegar.  Não conheço o dia, mas ele está no calendário de Deus, como o dia de meu nascimento, o meu Natal. Não no sombrio de uma desgraça. Mas no esplendor da ressurreição. Desfaz-se a morada terrena, recompõe-se a eterna.

4.   A HORA: parece especificar mais ainda a data.  Hora é realidade mais minuciosa do que dia.  Se ignoro o dia, mais desconheço os últimos momentos, as circunstâncias em que minha passagem para o Pai vai acontecer.  A curiosidade é grande.  Por isso, todas as horas devem ser transformadas em momentos aproximadores e aprofundadores desta hora, visto que é esta a forma de consumar minha vocação histórica.  Consumar significa: concluir, completar, terminar, ultimar, chegar a bom termo.  Cristo, durante sua vida, desejava ardentemente por esta hora.  E, quando esta hora se esgotava, pendendo ele da cruz, entre a terra poluída que viera salvar e o céu que o chamava, exclama: tudo está consumado.  É o grito do término de uma missão.  Entregou-se ao Pai e pendeu a cabeça... S. Paulo desejava ardentemente esta hora, em que seria dissolvido em Cristo.  S. Inácio de Antioquia almejava apaixonadamente ser triturado pelos dentes dos leões no Coliseu de Roma.  Não se prendiam eles ao momento, mas lançavam o olhar na imensidão da paisagem iluminada que se lhes abria além desta hora.  Não viam a cruz do Calvário, viam os albores da ressurreição.  Não sabemos quando, mas sabemos que esta hora do encontro ali está, a alguns passos de nós, prenhe de lua e de glória, junto ao abraço do Pai.  Acostumemo-nos a ir a ela.

Retirado do Livro: A semente se fez árvore – Frei Hugo Baggio, OFM – Editora Vozes – 1980.
(Frei Hugo Baggio, já falecido foi Assistente Espiritual da Fraternidade de Santo Antônio do Largo da Carioca).  




In memoriam ao nosso irmão Iniciante WOLNER HERASTTO CERQUEIRA BÖLLKTTING, que faleceu aos 67 anos com o desejo de se tornar irmão Professo na Ordem Franciscana Secular, mas que chegada sua hora hoje está diante do Pai.

Com carinho dos irmãos da Fraternidade de Santo Antônio do Largo da Carioca. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O início da atividade de pregador


Santo Antônio. Girolamo Romanino [1484-1562], pintor italiano

Deixamos frei Antônio naquele lugar solitário de Monte Paulo onde, com contato com uma natureza exuberante e pródiga, dedicava-se à oração, à contemplação juntamente com os cuidados da horta, do jardim e da limpeza da casa.  De manhã celebrava a Missa com os frades.  À tarde sempre explicava-lhes com simplicidade trechos da Sagrada Escritura.  Era uma vida que lhe fizera deixar para trás muitas saudades (Portugal!), muitas tentações (África!), muitas dúvidas (Assis!).  Sua alma sentia-se mais tranquila.  Parecia-lhe ter encontrado, pelo menos em parte, mais segurança na vocação. Deus, porém, através dos caminhos desta vida, sempre aponta caminhos novos, inesperados. E foi o que aconteceu com frei Antônio.  Mais uma vez muda-se o destino de sua vida.

Forlí

Esta cidade ficou marcada para sempre na vida de Frei Antônio.  Eis porquê:
Corria o ano de 1222.  Na catedral estava para se realizar a ordenação sacerdotal de vários jovens diáconos. A Catedral estava lotada de fiéis. Padres e irmãos tinham vindo de todas as partes para participarem daquele evento tão importante para a vida da diocese.
Tinham ido também os frades do conventinho de Monte Paulo e entre eles, é claro, Frei Antônio. Quando todo mundo estava se preparando na sacristia (bispo, padres, coroinhas) notou-se a ausência do pregador escolhido há tempos para proferir o sermão durante a celebração.  O mestre de cerimônias viu-se confuso diante daquele imprevisto e começou a pedir a um, a outro, mas todos se esquivavam apresentando alguma desculpa. Estava presente também frei Graciano, o superior provincial dos Franciscanos. A certo momento frei Graciano troca algumas palavras com o mestre das cerimônias, sempre olhando para Frei Antônio, que estava a uns seis passos de distância.
_ “Aí vem chumbo grosso”, pensou consigo mesmo Frei Antônio.
Dito e feito.
Eis Frei Graciano pedindo-lhe que fizesse o sermão, Frei Antônio recusou-se de todos os modos.  Seus colegas de convento, vendo aquela cena, até imaginavam com uma certa dose de benigna ironia aquele fradezinho, embora sacerdote, varredor de cozinha, encarregado da horta, etc., etc., de repente subir o púlpito da catedral de Forlí.  Até que seria interessante! A um certo ponto da conversa, vendo que todos os argumentos eram impotentes para convencê-lo, frei Graciano disse:
_ Frei Antônio, você é sacerdote.  Por isso deve saber alguma coisa da Sagrada Escritura.  Em nome da obediência, eu ordeno que faça o sermão.  Diga o que Deus lhe inspirar!
Frei Antônio não teve como dizer não, inclinando respeitosamente a cabeça.  Enquanto isso, a procissão já ia se movimentando em direção à catedral, acompanhada pelo som solene do órgão e do canto do coral: “Eis o grande sacerdote”.  Na hora da homilia, frei Antônio subiu ao púlpito e começou a falar sobre aquelas palavras de São Paulo: “Cristo se fez obediente até a morte e a morte na cruz” (Fil. 2,8). Suas palavras, em italiano popular, a princípio vagarosas, pesadas, eram dirigidas ao povo que lotava a igreja naquela ocasião.  Aos poucos ele vai sentindo firmeza, entusiasmo e se inflama.  Sua comunicação é direta.  Toca o coração daquela gente simples e humilde que o escuta atentamente e recebe a mensagem de força, de esperança e de coragem de viver, naqueles tempos difíceis em que os ricos exploravam os pobres reduzindo-os à escravidão e à miséria.  Contra os pecados dos poderosos que oprimiam o povo, a palavra de frei Antônio é dura, clara e incisiva convidando-os à conversão para uma vida de justiça e de dignidade.  De repente frei Antônio muda de língua e começa a falar em latim (e que latim!) dirigindo-se ao bispo ordenante, aos padres presentes e aos jovens clérigos que estão prestes a serem ordenados padres.  Cita longos trechos da Bíblia, Antigo e Novo Testamentos, interpreta as passagens das Sagradas Escrituras de uma maneira simples e ao mesmo tempo profunda fazendo comparações com fatos da vida de cada dia.  Revela assim sua capacidade de reflexão a partir de um conhecimento profundo da Palavra divina e da alma humana.  Quem ler os “Sermões” de Santo Antônio, até hoje, não deixa de admirar essa qualidade do Santo.
Quando frei Antônio terminou o serão e desceu do púlpito, muitos olhos de fades, alguns amarejados de lágrimas e todos cheios de estupefação, seguiam-no com emoção e admiração.  Nunca tinham ouvido palavras tão bonitas, profundas e transmissoras de algo tão diferente para a vida cristã.  Até o bispo, como que petrificado no trono, só com dificuldades conseguiu movimentar-se para continuar as cerimônias.  O superior dos frades dominicanos, célebres por suas pregações, aproximou-se de frei Graciano, superior dos franciscanos e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- “Onde foi que vocês acharam esta arca de sabedoria”? Certamente o Espírito Santo é que falou nele.
Frei Graciano – que também tinha sido colhido de surpresa – com um certo ar de satisfação, respondeu:
- Eh! Esse é o frei Antônio... Frei Antônio de Lisboa.  Ele veio de Portugal.  É um pregador e tanto!  O Sr. Está vendo? Os frades menores também tem gente boa em Bíblia...
Mas dentro de si, frei Graciano cogitava:
-Puxa vida! E eu pensava que frei Antônio era bem mais capaz de lavar pratos do que ensinar as Sagradas Escrituras...
Terminada a missa, ao mesmo tempo em que fiéis e clero cumprimentavam os recém-ordenados sacerdotes, todos queriam ver, conhecer, saber quem era aquele frade que tinha feito o sermão.
Frei Antônio mal e mal consegue responder às perguntas, sorrir para uns, acariciar uma criança.  Todos querem conversar com ele ou ao menos tocar seu hábito franciscano, considerando-o já uma espécie de santo.
Até os frades, seus colegas de Monte Paulo, olham aquela cena maravilhados e incapazes de compreender como é que, em mais de um ano, não tinham percebido o tesouro que tinham em seu meio.  Até parecia-lhes estar vendo uma outra pessoa.  O próprio bispo se aproxima de frei Antônio, cumprimenta-o apertando-lhe a mão e dizendo:
- Parabéns! Que você uma sempre uma grande humildade à grande sabedoria que demonstrou hoje.
Frei Antônio jamais se esqueceu dessas palavras.  Como também daquelas outras de Frei Francisco de Assis, lá naquela grande reunião chamada Capítulo das Esteiras, das quais estas pareciam um eco: “Anunciem aos fiéis os vícios e as virtudes com palavras simples e breves e tenham sempre em estima e acima de tudo o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar”.
Pouco a pouco todos voltam pra casa.  Também frei Antônio, para o querido conventinho de Monte Paulo.  Lá os colegas querem substituí-lo nos serviços caseiros da limpeza e da horta.  Frei Antônio recusa terminantemente.  E assim continua sua vida como antes.
Como antes?
Esse era seu pensamento.  Mas já pressentira, pelas conversas ouvidas, que algo diferente iria acontecer-lhe.  Não deu outra.  Um dia, perto do meio-dia, chega ao convento frei Graciano.  Almoçam juntos.  Após a refeição, o superior convida-o a um passeio por entre o bosque para uma conversa.  Frei Antônio só escuta:
- Olhe, frei Antônio, eu fiquei muito bem impressionado com a sua obediência e o seu sermão lá naquela ordenação sacerdotal de Forlí.  Tenho até que pedir-lhe desculpas, porque eu o imaginava não muito culto e o coloquei aqui em monte Paulo para celebrar a missa, já que os irmãos insistiam neste sentido há muito tempo.  Estou extremamente feliz por saber que você se dedicou Sagradas Escrituras.  Confesso que o sermão de Forlí foi para mim uma grata surpresa...
Frei Antônio escutava.  De repente um esquilo passou rápido e sumiu no arvoredo distraindo-lhes um pouco a atenção, mas fazendo surgir-lhes nos lábios um leve sorriso de amor à natureza.
E frei Graciano continuou:
- Agora tenho que dizer-lhe uma coisa, frei Antônio.  Você terá que deixar este silêncio de Monte Paulo...
A estas palavras, frei Antônio teve um estremecimento e sua vista se obscureceu.  Seus ouvidos, num eco contínuo começaram a ser martelados pelo som do verbo deixar... deixar... deixar! Mas foi um instante apenas.  Logo lhe soaram claras as palavras de frei Graciano que acrescentou:
- Você vai ter que deixar Monte Paulo para anunciar o Evangelho.  O povo está sedento da Palavra de Deus.  Precisa de alguém que lhe aponte o bom caminho.  Há muita gente também levando o nosso povo para o erro, para as heresias: crianças, jovens e adultos.  E é preciso alguém que lhes pregue a Palavra do Senhor.  E você sabe pregar, conhece teologia.  Então?!?
E fez-se silêncio.  Os dois frades continuaram caminhando, meditando por entre a sombra gostosa dos verdes pinheiros da montanha.
Mais uma vez frei Graciano toma a iniciativa:
- Olhe, frei Antônio, hoje eu estava lendo o Evangelho de MT 5,14: “Vocês são a luz para o mundo todo.  Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.  Ninguém acende uma lamparina para colocar debaixo de uma vasilha.  Ao contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa.  Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai que está no céu”.  Penso que estas palavras iluminam a missão que quero dar para você, isto é, a pregação.  Chegou para você a hora de iluminar com a luz de Deus os passos do nosso povo. Então você vai com a minha bênção por toda esta região da Romanha, e toda Itália.  E pregue sempre e a todos a Palavra de Deus.
Após estas palavras, frei Graciano pára e, frente a frente com frei Antônio, lhe pergunta:
- E então, frei Antônio, aceita esta missão?
Finalmente frei Antônio abre a boca e diz com convicção:
- Se esta é a vontade de Deus, estou pronto.  Estou aqui para o que der e vier.
E, como era costume naquela época, ajoelha-se diante do superior com o cordão franciscano no pescoço.  Frei Graciano o faz levantar-se e dia, ciente da história da vida de frei Antônio:
- Ofereça sua cabeça e seu pescoço não à espada do carnífice, mas sim à Palavra de Deus pelos caminhos do mundo.  Será bem mais que um martírio.
Os dois se abraçam e voltam ao convento.
Dias mais tarde, frei Antônio se despede dos irmãos e desce o caminho estreito e tortuoso de Monte Paulo rumo à planície da Romanha.  Nos corações dos irmãos franciscanos resta uma saudade e um desejo.  Saudade por terem convivido com um Santo.  Desejo que aqueles lábios, por tanto tempo fechados, se abram para anunciar a Boa Nova do Evangelho num mundo marcadamente hostil.  Boa notícia da verdade, da justiça, da dignidade, da fraternidade.

Santo Antônio, pregador da palavra de Deus

  
Em Forlí, Itália, Santo Antônio foi convidado a dirigir sua palavra ao povo reunido na Igreja para uma Missa de ordenação sacerdotal.
Foi nesta ocasião que ele revelou seu extraordinário carisma de pregador popular.  Daí pra a frente nada mais parou seu entusiasmo missionário.  Um amplo campo de atividades estava se abrindo.
O conventinho de Monte Paulo ficou-lhe às costas.  Estendia-se agora diante de Frei Antônio o imenso campo de um povo da região da Romanha, da Itália e, mais tarde, da França, um povo tão sedento da Palavra de Deus quanto ignorante e continuamente confundido pelos pregadores heréticos da época.
Frei Antônio tinha recebido do ministro provincial a incumbência da pregação.  Normalmente o clero da época era totalmente omisso quanto a esse ministério.  E eram muitas as heresias, isto é, os erros de doutrina, de ensinamento e de comportamento com relação à Igreja católica, a Jesus Cristo, à Eucaristia, etc. E aí, os lábios de Santo Antônio, há tempos fechados, se abriram para anunciar por toda parte a boa nova do Evangelho.  Passava por cidades e castelos, vilas e campos espalhando por toda a parte a semente da Palavra de Deus. Mais do que nunca lhe foi útil a sua grande e profunda cultura teológica, mas, sobretudo o que mais lhe valeu foi sua incansável bondade para com as pessoas e a sua grande fé na missão que Deus lhe tinha reservado.
Santo Antônio Vamos conhecer a vida de um grande Santo  
Geraldo Monteiro
Giuseppino De Roma
Editora Mensageiro de Santo Antônio – 9ª edição - Janeiro de 2006


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Senhora Nossa, Maria Aparecida


Entre as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, às margens da Rodovia Dutra e do Rio Paraíba se ergue a majestosa Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Os que já tivemos ocasião de viver algum tempo naquele espaço sabemos do encanto e da beleza do espetáculo de fé que ali se assiste.
Dizemos, com razão, que ali é a Casa da Mãe.  Os fiéis acorrem de todos os cantos.  Há ônibus de peregrinos que rodam horas e horas.  Há pessoas que fazem parte do caminho a pé.  Há os que sobre de joelhos ladeiras e escadas. Em todos e em cada um dos peregrinos e dos devotos estão os filhos que buscam estar um pouco na Casa da Mãe.  Há os que trazem o agradecimento das graças obtidas e os que não aguentam mais as dores do corpo e do coração e fazem promessas à Mãe de Jesus. Cansados da viagem, sem poderem dormir, essas mulheres e esses homens de fé querem colocar-se sob o manto da Mãe. Há mães que pedem pela conversão dos filhos, há esposos e esposas que suplicam graças para sua família e a solidez de seu casamento.  Há pessoas dadas à bebida e às drogas que buscam força… Sempre um espetáculo de fé.





A primeira leitura da missa tirada do livro de  Ester fala da prece de Ester pelo povo. A Igreja coloca a mesma prece nos lábios de Maria: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida, eis o meu pedido, e a vida do meu povo, eis o meu desejo”. Belíssimas palavras! A Mãe de Jesus olhando a multidão dos fiéis pede ao Filho e ao Pai que dê vida ao povo. Podemos imaginar que Maria peça também pelos pobrezinhos e quase miseráveis que lá estão e nem mesmo tenham pão para viver e sobreviver.

A segunda leitura tirada do Apocalipse  fala de uma mulher vestida de sol. Sabemos que essa luminosa criatura que tinha também a lua sob seus pés é Maria, a Imaculada em sua Conceição, que pisa a cabeça da serpente e que é assim a Mãe dos Pecadores.  Doce esse título da Senhora:  Maria, mãe dos pecadores que nos dirigimos à  Casa da Mãe.

No relato das Bodas de Caná  ouvimos Maria dizer a todos: “Por favor, diante das carências da vida, da consciência das falhas e pecados que comente… façam tudo o que ele mandar… ele transformará  água em vinho, desespero em esperança, morte em vida…Façam tudo o que ele mandar”.

Quando João Paulo II esteve em Aparecida, por ocasião da Dedicação da Basílica Nacional, disse:  “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem  Imaculada, a Senhora Aparecida”. Desde que eu pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, a ingenuidade e singeleza de suas palavras,  um grito da alma, um saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho no momento extremo de sua vida para ser nossa Mãe”.
Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM
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TV Franciscanos | Especial Nossa Senhora Aparecida

Hino Oficial à Nossa Senhora Aparecida - MENINAS CANTORAS DE PETRÓPOLIS


Virgem Peregrina



Encorajando seus seguidores a viverem como peregrinos e forasteiros pelo mundo, Francisco e Clara lembravam-se de comparar sua vida com a de Jesus e de Maria. A regra dizia:
 “E quando for necessário vão pedir esmola. E não se envergonharem, antes lembrem que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo (Jô 11,27) onipotente, pôs sua face como uma pedra duríssima (Is 50,7), não se envergonhou; e foi pobre e hóspede e viveu de esmolas, ele e a bem-aventurada Virgem e seus discípulos (RNB 9, 3-5)”.

É interessante observar que, para São Francisco, Nossa Senhora foi tão peregrina quanto Jesus, quanto ele e seus frades. E que Clara escreveu:

“As Irmãs não se apropriem de nada, nem de casa, nem de lugar, nem de coisa alguma. E, como peregrinas e forasteiras neste mundo, servindo ao Senhor na pobreza e na humildade, mandem pedir esmola confiantemente” (RSC 8,1-2).

Para entendermos melhor o que nos apresenta este capítulo, vamos lembrar o que era ser peregrino na Idade Média.

Hoje, quem quer ir visitar com piedade Jerusalém ou Roma, Lourdes ou Fátima, compra um pacote igual aos turísticos e já recebe uma programação completa, dizendo quando vão ficar em cada lugar e em que hotel, que dia vão partir e a que horas vão chegar.

Na Idade Média, quando um penitente partia para uma peregrinação, tinha uma esperança de voltar bastante leve: não levava dinheiro nem comida, tinha que passar por regiões hostis e em estado de guerra. Com frequência, os parentes vendiam a casa no dia seguinte à partida. Na melhor das hipóteses, o peregrino voltaria depois de muitos meses.

Francisco e Clara comparavam a missão do cristão no mundo à maternidade de Maria. Tanto na missão quanto na maternidade, há dois momentos fundamentais. O primeiro consiste em acolher Jesus Cristo e o seu reino; o segundo consiste no dever de dar Cristo à luz nos corações dos homens e das mulheres pela irradiação da própria vida. Então, é preciso ir buscá-los onde eles e elas estiverem.

Esse é o primeiro sentido da “Virgem Peregrina”. Um outro é o de ela ter caminhado sem bolsa nem calçado, nem bordão, porque tudo que temos a levar, tudo que temos que viver é Deus.

Peregrina também é uma pessoa que nunca acha que tudo está pronto. Sabe que há mais caminho, que tudo pode trazer surpresas, que o mistério é sem fim. Vive desinstalada.

 Fonte: Maria Franciscana – Nossa Senhora na experiência de São Francisco e Santa Clara de Assis – Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap – Centro Franciscano de Espiritualidade - 2003

Santa Mãe Maria


Santa Mãe Maria, nesta travessia, cubra-nos teu manto cor de anil 
Guarda nossa vida, mãe Aparecida, Santa padroeira do Brasil.   
 
Ave Maria, Ave Maria. 
Ave Maria, Ave Maria.  
Mulher peregrina, força feminina, a mais importante que existiu 
Com justiça queres que nossas mulheres sejam construtoras do Brasil.   

Com amor divino guarda os peregrinos nesta caminhada para o além! 
Dá-lhes companhia pois também um dia foste peregrina de Belém.