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domingo, 30 de dezembro de 2012

Que nossos lares sejam sólidos


A 30 de dezembro de 2012  comemoramos a festa da Sagrada Família, da Família de Nazaré.  Que todas as famílias possam se encontrar na oração que ora publicamos!
 Senhor  Deus, grande e belo,
altíssimo e bom Senhor, fonte de toda a vida,
aqui estamos diante de  teu olhar meigo,
perscrutador e misericordioso.
Neste momento de nossas vidas
queremos colocar  diante de teus olhos
e depositar  no fundo de teu coração
nossas famílias e as famílias do mundo inteiro.
Pousa o teu olhar sobre nossas mesas de refeições:
que a família  tenha o pão de todos os dias e a
abundância das coisas necessárias.
Livra-as do consumismo empobrecedor,
do espírito de competição  sem medida
e do culto das aparências e do poder.
Que seus membros se alimentem
de atenções mútuas e  de carinhos que não podem ser adiados.
Dá aos esposos a graça da fidelidade e da ajuda mútua:
que se respeitem e se estimem,
que cresçam juntos humana e espiritualmente
sempre diante de teu olhar.
Olha pelos filhos pequenos e grandes,
pelos que são dóceis de coração
e  pelos que se mostram revoltados.
Que sejam iluminados na escolha de seus amores,
na opção profissional e em todas as encruzilhadas de suas vidas.
Dá,  Senhor, aos nossos filhos o gosto pelo Evangelho,
o ideal da solidariedade,
a preocupação de se dobrarem sobre os mais abandonados
e a serem companheiros simples e bons
de todos os que passarem por seus caminhos.
Que sejam  pessoas úteis  e que enfeitem
a terra com sua simples presença.
Olha, Senhor, os meninos de rua,
as crianças sem pai e sem mãe,
as esposas abandonadas,
as mães e pais solteiros,
os maridos machucados.
Acompanha o sono das crianças,
o descanso dos idosos
e alivia o sofrimento dos doentes.
Senhor, nós te damos graças  por nossas famílias
e pedimos a coragem de sempre lutar pela construções de lares sólidos.
Amém.
Frei Almir Ribeiro Guimarães

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Anúncio do Natal



Na Reunião Geral da Fraternidade, ocorrida no último dia 02 de dezembro, nos reunimos irmãos e irmãs  no salão de reuniões do Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca/RJ, para proclamarmos o "Anúncio do Natal":    
A Mensagem Franciscana do Presépio
Segundo a tradição, a primeira representação visualizada, teatralizada e celebrada de um presépio aconteceu no ano de 1223, num bosque próximo de Greccio, na Úmbria, região italiana. Quem tomou esta iniciativa foi Francisco de Assis, e, com isso, ele passa a ser o primeiro a organizar de um modo plástico a cena da Encarnação do Filho de Deus.
Não é de se discutir se o fato é verídico ou legendário, pois Francisco de Assis foi um apaixonado pelo modo como Deus fez morada no mundo dos humanos, e certamente, mais do que palavras quis mostrar o maior evento de todos os tempos: na carne de um Menino, Deus está para sempre no meio de nós. Vejamos o texto das Fontes Franciscanas: “A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração.
Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.
E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria.” (Cel 30,4).
Sob a inspiração deste fluo, baseando-se nas Fontes Franciscanas, toda a celebração de Natal ganha um novo vigor interpretativo e celebrativo em toda Itália, da Itália para a Europa e da Europa para o mundo. A cidade de Nápoles transforma a cena de Natal num movimento artístico, e a partir dali e dos anos 1700, o presépio é pura arte.
Unindo a Palavra de Deus, a representação artesanal e o folclore, os presépios vão destacando as típicas figuras regionais, e unem fé e beleza estética. As missões franciscanas levam o presépio para o mundo, e assim, cultura local e tradição cristã mostram o maior feito histórico da cristandade.
O presépio tem a forma dos momentos culturais: barroco, colonial, rococó, renascentista, moderno, vanguardista, arte popular, oriental, latino-americano, indiano e africano. O Deus Menino está no campo, na cidade, nas tendas, favelas e arranha-céu; está no centro urbano e na periferia. Une a força do sinal, do sacramental, do sagrado, da teologia da imagem, a fala da fé.
Nos presépios temos a harmonia das diferenças. O mundo do divino encontra-se com o mundo do humano. A grandeza, a onipotência de um Deus revela-se na fragilidade de uma criança. Ali o mundo animal, ovelhas, boi, burro, queda-se contemplativo abraçado pelo silêncio do mundo mineral: pedras e presentes. Há também o toque brilhante daquela Estrela Guia aproximando o mundo sideral.
 As plantas formam o colorido arranjo do mundo vegetal. Anjos e pastores, um pai sonhador e uma mãe silente que guarda tudo no coração; afinal todos são conduzidos pelo mesmo mistério. O curioso e controlador mundo do poder representado pelos Reis Magos vem conferir. Fazer presépios é unir mundos! Aquele Menino fez-se Filho do Humano: veio experimentar a nossa cultura, o nosso jeito, a nossa consanguinidade.
Num presépio cabe todos os rostos! É o grande encontro dos simples, dos normais, dos marginais, dos ternos, fraternos, sofridos e excluídos. Quando o diferente se encontra temos a mais bela paisagem do mundo. Tudo se torna transparente na unidade das diferenças. Num presépio não existe preconceito, existe sim aquela silenciosa e calma contemplação da beleza de cada um, de cada uma. Encarnar-se é morar junto e respeitar o diferente! Paz na Terra aos Humanos de vontade boa e bem trabalhada! Isso é que encantou Francisco de Assis!
O presépio nos lembra que Deus não está no mercado das crenças, nem no apelo abusivo do comércio natalino que faz uma profanização deste universo de símbolos: pinheiros e estrelas, animais e pastores, presépios variados. Deus nem sempre está nas igrejas e nem nas bibliotecas; mas Ele está num coração que pulsa de Amor. Esta é a sacralidade inviolável do Natal: Deus está no seu grande projeto, que é Humanizar-se, fazer valer o Amor, Encarnar o Amor!
Deus não está na violência e nem onde se atenta contra a vida. Deus não está no orgulho dos poderosos nem entre os caçadores de privilégios hierárquicos. Mas Ele está na leveza deste Menino, Filho do Pai Eterno, a grande síntese das naturezas humana e divina.
Ele está aqui na mais bela doação do Sim de José e de Maria. Quando há disponibilidade, todo sonho é fecundo. Ele está onde se faz um presépio: lugar do Bem e da Beleza. É o grande momento de refletir este presente que ele nos dá. Isso é que encantou Francisco de Assis!
O Amor tem que ser Amado! A Verdade e a Beleza têm que ser apreciadas. Este é o lugar de Luz no meio das sombras humanas. A luz vale mais do que todas as trevas. Deus está ali com você e com Francisco diante do presépio, e abraçando você com silêncio, paz, harmonia, serenidade; acolhendo você e passando-lhe Onipresença, Onipotência eterna para a fragilidade da criatura. No presépio, Deus olha você, pessoa humana, contemplando a suprema humildade da Pessoa Divina.
Artigo “A Mensagem Franciscana do Presépio, da Revista Franciscana, uma publicação da FFB   
Por Frei Vitório Mazzuco Fº



Nos dias que 15 e 16 de dezembro tivemos momentos fraternos que preparam franciscanamente a chegada do Menino Deus.
Estivemos no dia 15 a convite de nossa irmã Valéria Pinheiro Ministra da Fraternidade de São Francisco da Penitência, para celebramos juntos a Santa Missa que foi presidida pelo Fr. Jônathas Gerber, seguida de Auto de Natal e Almoço de Confraternização, onde foram lembrados os cem anos da ereção canônica da Fraternidade de Santo Antônio com a presença de vários irmãos das duas Fraternidades e do Assistente Espiritual da Fraternidade de São Francisco da Penitência e Vice-ministro Provincial da Província da Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil Frei Estêvão Ottenbreit.



O presépio vivo de Greccio se formou mais uma vez, naquele Auto com a presença de duas crianças representando Francisco e Clara de Assis.



No dia 16 de dezembro 2012: Visita anual de Natal para nossas irmãs Clarissas do Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos na Gávea. Foram entregues doações em nome da Fraternidade de produtos de limpeza (água sanitária, detergentes, sabão etc.), sandálias plásticas de dedo (tipo havaianas) e caixas de bombons de chocolate, tudo adquirido pela nossa irmã Dirce com o dinheiro de doações de alguns irmãos da Fraternidade.
Agradecemos a acolhida da abadessa Madre Pacífica e de todas as nossas irmãs da 2ª Ordem de Santa Clara que nos presentearam com um lanche e lindas imagens do Menino Jesus. 










Dia de Cristo Rei e Santa Catarina de Alexandria




Ó Cristo Jesus, eu vos reconheço como Rei universal. Tudo o que foi feito, para vós foi criado.  Exercei sobre mim todos os vossos direitos.  Renovo as minhas promessas do batismo, renunciando a satanás, às suas pompas e às suas obras; prometo viver como bom cristão.  E mui particularmente empenhar-me-ei a fazer triunfar por todos os meios a meu alcance os direitos de Deus e da vossa Igreja.  Divino Coração de Jesus, ofereço-vos as minhas pobres ações para alcançar que todos os corações reconheçam a vossa realeza sagrada, e que por esse modo o reino da vossa paz se estabeleça em todo o mundo.  Assim seja.
Devocionário Franciscano - pág. 268/269 FFB e Ed. Vozes.
Foto: Altar da Igreja de Santa Catarina de Alexandria

No dia 25 de novembro de 2012: Celebração de Cristo Rei e de Santa Catarina de Alexandria na Igreja de Santa Catariana – Rua Senador Pompeu 206 – Centro/RJ
Visitamos a nossa a irmã Isabel Salles no Lar da Venerável Irmandade da Imaculada Conceição, sua moradia há mais de três anos. O lar fica ao lado da Igreja, onde aproveitamos o dia festivo para almoçar com a mesma e com os demais paroquianos e agradecer a Deus por mais um ano de de cuidado e de acolhida de nossa irmã naquele local.
Isabel e Pe. José Geraldo 

 


Celebramos com a Santa Missa e agora passamos a fazer abaixo uma pequena homenagem ao Estado de Santa Catarina, que nos dá a graça do convívio e de termos  tantos irmãos Frades Menores da Província da Imaculada Conceição do Brasil, que são filhos e originários daquelas terras. 

Imagem que todos os anos saí na procissão de Santa Catarina
pelas ruas dos arredores da Central do Brasil - Centro/RJ  

 Oração Atribuída à Santa Catarina
            Senhor Jesus, dou-vos graças por terdes firmado meus pés sobre a rocha e por terdes dirigido meus passos.  Estendei-me estas vossas mãos que por mim foram feridas na cruz e recebei minha alma em prova de fidelidade eu vos ofereço.

            Lembrai-vos, Senhor, que não passamos de carne e sangue.  Não permitais que seja acusada, quando em vosso tribunal, dos pecados que cometi por ignorância.  Purificai-me das manchas que me marcam, em vista do sangue que por vos derramarei.  A todos quantos vos invocarem por minha intercessão, concedei-lhes a realização de todos os seus pedidos, enquanto forem úteis às suas almas, para que assim sejais louvado e bendito pelas vossas obras, no tempo e na eternidade.  Assim seja.

Santa Catarina é considerada padroeira dos estudantes, filósofos e professores e também invocada pelos que trabalham com rodas e contra acidentes de trabalho. No Brasil, é a padroeira principal do Estado e da Ilha de Santa Catarina e co-padroeira da Catedral metropolitana de Florianópolis.

Decreto que constituiu Santa Catarina V. M. 
padroeira principal da Diocese de Florianópolis
Considerando que a Diocese de Florianópolis, criada em 1908, pelo nome da região ou Estado Catarinense, também se chama da Santa Catarina, e que venera a mesma santa Virgem e Mártir como sua principal Padroeira celeste;
considerando que  os Fiéis habitantes da cidade de Florianópolis (outrora Desterro), fundada no começo do século dezessete ou, melhor, todo o povo daquela região escolhera e honrara a mesma Santa Catarina como principal Padroeira, faltando apenas os documentos ou confirmação de tal escolha;
considerando que o Exmo.Mons. Joaquim Domingues de Oliveira, Bispo de Florianópolis, por ocasião do primeiro centenário da Independência, que com grande solenidade será celebrado pelo povo Brasileiro no próximo mês de Setembro, expondo os desejos do Clero e das pessoas mais representativas  da sua Diocese, com instantes preces rogou ao Santíssimo Padre Pio XI que se dignasse declarar Santa Catarina Virgem Mártir como principal Padroeira de toda a Diocese de Florianópolis e Co-titular da Igreja Catedral (cujo titular é a Fuga de N.S.Jesus Cristo):
Sua Santidade, anuindo de coração a estas preces que lhe foram apresentadas pelo infra-escrito Cardeal Prefeito da Congregação dos Ritos, usando de sua autoridade suprema, declarou e constituiu Santa Catarina Virgem e Mártir Padroeira principal da Diocese de Florianópolis e Co-titular da Igreja Catedral com o mistério da Fuga de N.S. Jesus Cristo, com todos os privilégios e honorificências atribuídos à mesma Padroeira e Co-titular, que por direito competem aos principais Padroeiros de lugares e Titulares de Igrejas.
Revogadas quaisquer disposições em contrário.
26 de Julho de 1922.
+ A. Cardeal Vico, Bispo de Porto (Itália), 
Prefeito
Alexandre Verde, S
Secret. da S.C.R.
A bandeira do estado de Santa Catarina foi instituída inicialmente pela lei nº 126 de 15 de agosto de 1895, a mesma lei que instituiu o brasão do estado de Santa Catarina durante o governo de Hercílio Luz, e tinha como autor José Boiteux.
Pelo artigo 3º daquela lei, a bandeira de Santa Catarina era composta de faixas brancas e vermelhas dispostas horizontalmente em número igual ao das comarcas do Estado e de um losango verde colocado no centro da bandeira, dentro do qual havia estrelas de cor amarela, correspondentes aos municípios do estado.
Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas suspendeu o uso de símbolos estaduais, incluindo a Bandeira e as Armas, através da constituição brasileira de 1937 e do Decreto-lei nº 1.202 de 8 de setembro de 1939. Só em 29 de outubro de 1953 a Lei estadual nº 975, sancionada pelo governador Irineu Bornhausen (regulamentada em 19 de fevereiro de 1954 pelo Decreto nº 605) revitaliza o uso dos símbolos estaduais. Essa lei também alterou o desenho da Bandeira, baseando-se no desenho original, e que se mantém até hoje.
Após a alteração, a bandeira de Santa Catarina passou a ser composta de três faixas horizontais idênticas, sendo as das extremidades vermelhas e a do centro branca; sobre as faixas, um losango verde-claro que representa a cor de Santa Catarina de Alexandria, padroeira do estado. A mesma Lei estabeleceu também a Bandeira do Estado. http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Santa_Catarina

A padroeira de Santa Catarina
No dia 25 de novembro celebra-se o Dia de Santa Catarina de Alexandria, a padroeira da Ilha de Santa Catarina e do Estado. É também considerada padroeira dos estudantes, filósofos, professores e também invocada pelos que trabalham com rodas e contra acidentes de trabalho.
Não são muitos os dados históricos que temos a respeito de Santa Catarina de Alexandria. Segundo tradições orientais, seria filha de uma família distinta, de posses e instruída. Seu martírio, em testemunho de sua fé cristã e em defesa de sua virgindade, é situado no início do século 4, na cidade de Alexandria, durante a perseguição dos cristãos na época do imperador Maximino.
Alexandria, na época, pertencia à província romana do Egito. Na presença de Maximino, ela apontou a limitação do imperador, por crer em falsos deuses, e afirmou que seu Deus era o único realmente vivo e que seu rei era Jesus Cristo. O imperador mandou prendê-la no cárcere, até que viessem os 50 maiores sábios do mundo e a humilhassem quanto à sua argumentação aparentemente simples.
Quando chegaram, os sábios riram do imperador, por tê-los convocado para contra-argumentar com uma garota. Mas o imperador os advertiu que, se conseguissem convencê-la, ele os presentearia com os melhores bens do mundo, mas se não conseguissem, os condenaria à morte. Catarina foi tão sábia nos seus argumentos, que os sábios não conseguiram convertê-la. Vencidos pela eloquência de Catarina converteram-se ao cristianismo.

Frustrado, o imperador mandou prender e torturar Catarina na masmorra. Visitada na prisão pela esposa do imperador e pelo chefe de sua guarda, Catarina os converteu, fazendo o mesmo com inúmeros soldados. Mais enfurecido ainda, o imperador mandou assassinar os sábios e sua esposa, lançou os guardas aos leões no Coliseu e condenou a santa à morte lenta na roda. Mas quando foram amarrar Catarina na roda, ela fez o sinal da cruz e a roda quebrou. Por fim, Catarina morreu decapitada, mas, ao invés de sangue, saiu leite e, por isso, as mães que amamentam recorrem também a sua intercessão.
As relíquias da santa encontram-se no mosteiro que leva seu nome, no Monte Sinai: Mosteiro de Santa Catarina, no monte Gêbel Musa, a 2.300 metros de altitude. Que Santa Catarina interceda junto a Deus por nós, moradores desta “Bela e Santa Catarina”.
DOM IRINEU ROQUE SCHERER, BISPO DIOCESANO DE JOINVILLE


Foto: em tamanho natural da imagem na Igreja de Santa Catarina de Alexandria - Centro/RJ
A História de Santa Catarina
 Catarina vem da junção: "Catha", que significa total, e "ruin" que significa ruína: portanto, "ruína total". Realmente, o prédio do diabo foi totalmente demolido dentro de Santa Catarina: o edifício do orgulho, destruído pela sua humildade, aquele da concupiscência carnal, pela virgindade que ela preservou, e aquele da cobiça terrestre, pelo menosprezo a todo tipo de bens mundanos.
O nome Catarina pode vir ainda de "catenula", uma pequena corrente: através de seus bons trabalhos, ela formou para si uma corrente pela qual subiu até o Céu. Esta corrente ou escada, possui quatro degraus, que são: a inocência de ação, pureza de coração, desprezo pela vaidade e a verdade. As propostas destes degraus, um a um são:
— «Quem subirá à montanha do Senhor?...o que tem mãos limpas e puro de coração, que não conduziu em vão sua alma, nem testemunhou em falso enganando seu próximo».
Como estes quatro degraus estavam presentes na santificada vida de Catarina, tornar-se-á claro, à medida que lemos sua história.
Catarina, a filha do Rei Costus, foi bem instruída em todos estudos liberais [*]. Quando Catarina tinha dezoito anos, o imperador Maxentius convocou a todas pessoas, tanto ricos como os pobres a irem a Alexandria a fim de oferecer sacrifícios aos ídolos, e perseguia os cristãos que se recusavam a fazê-lo. Nesta época, Catarina morava sozinha num palácio repleto de tesouros e com muitos criados, ouviu os berros dos animais e as aclamações dos cantores e depressa enviou um mensageiro para descobrir o que se passava.
Ao tomar conhecimento dos fatos, reuniu algumas pessoas do palácio e protegendo-se com o Sinal da Cruz , saiu e viu muitos cristãos preparando-se para oferecer sacrifícios por terem medo de morrer. Lamentando profundamente o que viu, ela encaminhou-se corajosamente a frente do imperador e disse-lhe:
— «Ambos, a dignidade de sua posição e os ditames da razão, me aconselharam a lhe saudar oh imperador, se reconhecer o Criador dos Céus e renunciar à adoração de falsos deuses».
Colocando-se na entrada do templo, ela discutiu longamente com o imperador através do raciocínio silogístico, bem como por alegorias e metáforas e, inferências lógicas e místicas. Então, revertendo a linguagem coloquial acrescentou:
— «Eu me preocupei em propor-lhe estes pensamentos como uma pessoa sábia, mas permita-me perguntar-lhe: por que reuniu vaidosamente esta multidão para adorar a estupidez de ídolos? O senhor fica maravilhado perante este templo construído pelas mãos dos artesãos. O senhor admira ornamentos preciosos que, com o tempo, serão como a poeira que se desfaz diante da face do vento. Maravilhe-se do mundo, da terra e o mar e tudo que existe neles. Maravilhe-se diante dos seus ornamentos, o sol, a lua a as estrelas e tudo quanto eles fazem - como desde o princípio do mundo até seu fim, de noite e de dia, eles correm ao oeste, voltam para o leste, sem nunca se cansarem. Tome nota de todas estas coisas, para então perguntar e aprender, quem é mais poderoso que eles; e quando por graça dEle, chegar a conhecê-lo sem conseguir encontrar nada, ninguém que se assemelhe, adore-o, dê-lhe glórias, pois Ele é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores»
Ela continuou discursar intensiva e sabiamente a respeito da encarnação do Senhor.
O imperador ficou tão atônito, que não podia lhe responder. Mas, ao recuperar-se, disse:
— «Por favor, ó senhora, deixe-nos terminar o nosso sacrifício, e depois voltaremos a esta discussão»
Ele ordenou que a acompanhassem de volta ao palácio, onde ela permaneceu sob forte guarda.
O imperador ficou assombrado de admiração pelo seu conhecimento e pela sua beleza. Realmente ela era linda de se ver, era de uma beleza inacreditável e vista por todos como, admirável e graciosa.
O imperador então foi ao palácio e disse à Catarina:
— «Ouvimos sua eloqüência e admiramos seus conhecimentos, mas estávamos tão compenetrados em adorar nossos deuses, que não conseguimos acompanhar tudo o que disse. Agora, comecemos por ouvir a respeito de sua antecedência»
Respondeu Santa Catarina:
— «Está escrito, que não se deve falar de si, nem por meio de elogios, nem por depreciação; as pessoas tolas assim o fazem pelo prazer da glória oca. Mas atesto sobre minha origem, não com presunção, mas com amor e humildade. Sou Catarina, filha única do Rei Costus, embora nascida dentro da realeza e bem instruída nas disciplinas liberais, dei as costas a tudo isso e refugiei-me no Senhor Jesus Cristo. Os deuses que você adora, não podem ajudar nem a si próprios, nem a mais ninguém. Ó devotos infelizes de ídolos que, quando chamados na hora da necessidade, não estão presentes; que não oferecem nenhum socorro na tribulação, nenhuma defesa no perigo!»
Ao que respondeu o imperador:
— «Se as coisas são como você diz que são, então está enganado o mundo inteiro e apenas você fala a verdade! Entretanto, visto que cada palavra se confirma pela boca de duas ou três testemunhas, ninguém precisaria dar-lhe crédito, mesmo que fosse um anjo ou outra potência celestial, e muito menos em vista de, obviamente, não ser mais do que uma mulher frágil!»
A isto Catarina respondeu:
— «Eu lhe imploro, ó César, não se deixe levar pela ira, visto que a perturbação calamitosa inverte a mente de um homem sábio, pois como diz o poeta : se for regido pela mente és rei, se pelo corpo és escravo».
Disse então o imperador:
— «Vejo que agora está determinada a nos apanhar através de sua astúcia pérfida, à medida que tenta prolongar esta discussão citando os filósofos».
Maxentius compreendeu então, que não podia competir com o conhecimento de Catarina e secretamente enviou cartas a todos os mestres de lógica e retórica, ordenando a comparecerem rapidamente a corte de Alexandria, com a promessa de recompensas vultuosas, se pudessem superar esta fêmea demagoga com seus argumentos. Cinqüenta oradores, que superaram todos os mortais em todas as linhas do conhecimento humano, vieram de várias províncias e uniram-se. Foram ter com o imperador, a razão de sua convocação de lugares tão longínquos, aos quais ele respondeu:
— «Temos aqui uma donzela sem igual tanto em compreensão como em prudência . Ela refuta todos os sábios e declara que nossos deuses são demônios. Se puderem superá-la, voltarão para casa ricos e famosos».
Neste instante, um dos oradores exclamou, com a voz trêmula de indignação:
— «Ó profundo, pensamento profundo do imperador, que devido a uma disputa insignificante com uma donzela, reuniu sábios dos confins da terra, quando qualquer um dos nossos discípulos poderia tê-la silenciado com a maior facilidade!».
Mas o César retorquiu:
— «Eu poderia realmente tê-la forçado a oferecer sacrifícios, ou livrar-me dela com a tortura, mas achei melhor que fosse refutada de uma vez por todas de seus argumentos»
Então disseram-lhe os mestres:
— «Traga a donzela perante nós! Que ela sinta vergonha de sua imprudência, que ela reconheça não ter antes visto homens sábios!»
Quando informaram à Catarina a respeito da disputa que a aguardava, ela se entregou inteiramente a Deus e imediatamente, um anjo do Senhor colocou-se ao seu lado e admoestou-a a permanecer firme assegurando-lhe ser impossível que ela fosse derrotada por estas pessoas; e mais ainda, ela as converteria e as colocaria no caminho do martírio. Então, Catarina foi levada à presença dos oradores. Indagou ela:
— «É justo colocar cinqüenta homens contra uma moça, com a promessa de que, ao ganhar, receberão uma rica recompensa, forçando-me a lutar sem a esperança de prêmio?... entretanto, minha recompensa será o Senhor Jesus Cristo, que é a esperança e a coroa daqueles que lutam por Ele».
Iniciou-se o debate, e, quando disseram os oradores ser impossível para Deus tornar-se homem ou sofrer, Catarina mostrou ter sido isto já previsto, mesmo por pagãos! Platão mostrou um Deus assediado e mutilado. Sibila, também dizendo: "- Feliz é o Deus que é suspenso em uma árvore alta!" e a virgem prosseguiu a contradizer os oradores com extrema habilidade e os refutou com um raciocínio claro e convincente, até o ponto que eles, não encontraram mais respostas, reduzindo-se tudo ao silêncio.
Este fato provocou novas manifestações de ira por parte do imperador, que passou a insultar os oradores, por deixarem que uma menina os fizesse de bobos. Um dentre eles, o decano, manifestou-se:
— «Deverá saber, ó César, que ninguém jamais foi capaz de nos enfrentar e não ser derrubado de imediato, porém, esta jovem mulher pela qual o Espírito de Deus fala, nos respondeu de uma maneira tão admirável, que, ou não sabemos o que dizer contra Cristo, ou tememos dizer qualquer coisa! - Portanto, ó imperador, declaramos firmemente que, a não ser que possa propor uma opinião mais sustentável a respeito dos deuses que até agora adoramos, seremos todos convertidos a Cristo!»
Ao ouvir isto, o imperador enfurecido, fora de si, ordenou que queimassem todos no meio da cidade. Com palavras de encorajamento a virgem fortaleceu-os diante da resolução de martírio, diligentemente os instruiu na fé. Quando ficaram preocupados porque morreriam sem terem sido batizados, ela lhes disse:
— «Não tenham medo, o derramamento de seu sangue, contará a seu favor como batismo e coroa!»
Protegeram-se com o Sinal da Cruz e foram lançados às chamas, entregando assim suas almas ao senhor. Aconteceu que, nenhum fio de cabelo de suas cabeças, nem um fragmento de seus vestuários, foi sequer chamuscado pelo fogo. Em seguida os cristãos os enterraram.
O tirano então se dirigiu à virgem:
— «Ó donzela nascida da nobreza, pense na sua juventude. No meu palácio estará em segundo lugar, logo após a rainha. Erguer-se-á no centro da cidade, sua imagem; será adorada por todos como uma deusa!»
Ao que exclamou Catarina:
«"Pare de falar tais coisas! É um crime, mesmo só em pensá-las! Eu me entreguei como noiva de Cristo, e Ele é minha glória, Ele é meu amor, minha doçura e meu deleite. Nem louvores, nem torturas me afastarão de Seu amor!»...
Voltou então, a manifestar-se toda a ira do imperador, ordenando então, que ela fosse trancafiada durante doze dias em uma cela escura, onde ela padeceu com dores e fome.
O imperador então, saiu da cidade a fim de cuidar de assuntos do Estado.
Ao anoitecer, a rainha abrasada pelo amor, resolveu ir apressadamente a cela da virgem acompanhada do capitão da guarda cujo o nome era Porphyrius. Ao entrar, a rainha viu que a cela estava cheia de uma luz indescritível e que os anjos, cuidavam das feridas da virgem.
Imediatamente, Catarina começou a lhe pregar sobre as alegrias do céu, convertendo-a à fé; predisse-lhe que ela, a rainha, receberia a coroa de mártir. Assim, conversaram até depois da meia noite. Porphyrius, após ter ouvido tudo, jogou-se aos pés da santa e juntamente com duzentos soldados, reconheceu a fé em Cristo. Ainda, visto ter o tirano ordenado que Catarina ficasse durante doze dias sem alimento, Cristo enviou do céu uma pomba resplandecente restaurando-a com viveres celestiais durante aqueles dia. Eis que então apareceu-lhe o Senhor com uma multidão de anjos e virgens e lhe disse:
— «Ó filha, reconhece o seu Criador, em cujo nome você submeteu-se a um conflito árduo. Seja perseverante pois estou contigo!»
Na sua volta, o imperador mandou trazer Catarina à sua presença. Esperava encontrá-la esgotada pelo jejum prolongado, mas, ao invés disto, viu-a ainda mais radiante. Pensando ter sido ela alimentada por alguém, ficou tão furioso que mandou torturar os guardas. Entretanto a virgem lhe disse:
— «Não recebi alimento de nenhum homem, porém o Cristo me alimentou através de um anjo».
O imperador insiste:
— «Considere minha advertência, eu lhe imploro, não me apresente mais suas respostas duvidosas. Não desejamos ganhá-la como mera criada, será uma rainha poderosa dentro do meu reino, escolhida honrada, triunfante!»
Catarina coloca:
— «Agora você, preste atenção; eu imploro, e, depois de uma consideração ponderada à minha pergunta, dê uma decisão honesta: - Quem deveria eu escolher: um que é poderoso, eterno, glorioso e honrado, ou um que é fraco, mortal, ignóbil e feio?»
Indignado Maxentius retorquiu:
— «Agora escolha um ou outro para você : oferecer sacrifícios e viver, ou submeter-se à tortura aguda e morrer!»
Catarina responde:
— «Quaisquer tormentos que tenha em mente, é perda de tempo. Meu único desejo é oferecer minha carne e meu sangue a Cristo como Ele se ofereceu a mim. Ele é meu Deus, meu amante, meu pastor e meu único esposo».
Um certo prefeito instigou o monarca a preparar dentro de um prazo de três dias, quatro rodas com serras de ferro e pregos de ponta afiada embutidos, para desta forma, com estes instrumentos horríveis, estraçalhar a virgem, deixando assim aterrorizados o restante dos cristãos, com uma morte tão terrível. Além disto, mandou que duas das rodas rodassem em uma direção, e as outras duas na direção oposta, de modo que a donzela seria rasgada, mutilada pelas duas rodas que se aproximariam dela por cima e mastigada pelas outras duas que viriam por baixo. Mas, a santa virgem rezou ao Senhor para que destruísse o engenho pela glória de Seu nome e pela conversão do povo ao redor; então, imediatamente um anjo do Senhor golpeou o engenho com tanta força que o destruiu, ocasionando a morte de mil pagãos.
A rainha que até então não se mostrara, observara de um lugar elevado os acontecimentos. Desceu e repreendeu severamente o imperador pela crueldade. O imperador enfureceu-se e quando, ainda a rainha recusou-se a oferecer sacrifícios, ordenou que primeiro lhe fossem arrancados os seios, para depois cortarem-lhe a cabeça.
Ao ser levada para seu martírio, rogou a santa Catarina que rezasse a Deus por ela. Disse-lhe a santa:
— «Não temas, ó rainha amada por Deus, pois hoje ganhará o reino eterno no lugar do transitório e um esposo imortal ao invés de um mortal».
A rainha assim fortalecida em sua resolução, exortou os carrascos a não demorarem na execução das ordens. Eles a conduziram para fora da cidade, arrancaram-lhe os seios com lanças de ferro e depois cortarem-lhe a cabeça. Porphyrius, pegou o seu corpo e o enterrou.
No dia seguinte, quando sem êxito procurou-se o corpo da rainha, o tirano ordena que se interroguem muitos sob tortura. Porphyrius apareceu repentinamente e declarou:
«Sou eu a pessoa que enterrou a criada de Cristo e aceita a fé cristã!»
Maxentius, fora de si, emitiu um rugido terrível e exclamou:
— «Ai de mim, miserável como sou e digno de piedade por todos, agora até Porphyrius, único guardião da minha alma e conforto em toda minha labuta; até mesmo ele foi enganado!»
Dito isto, voltando-se para seus soldados, eles prontamente responderam:
— «Nós também somos de Cristo, estamos prontos para morrer!»
O imperador, embriagado de fúria, mandou decapitar a todos, junto com Porphyrius, para depois atirar seus corpos aos cães. Em seguida mandou chamar Catarina e lhe disse:
— «Mesmo que tenha usado de artifícios mágicos para levar a rainha à morte, se agora já voltou ao bom senso, será a primeira dama dentro do meu palácio. Hoje portanto oferecerá sacrifício aos deuses ou perderá a cabeça».
Sua resposta foi:
— «Faça qualquer coisa que tenha em mente fazer. Encontrar-me-á preparada para agüentar qualquer coisa que seja!»
Ela foi então condenada à morte por decapitação.
Ao ser levada para o lugar de execução, levantou os olhos ao céu e rezou:
— «Ó esperança e glória das virgens, Jesus, o bom Rei, rogo-lhe que qualquer um que prestar homenagem à minha paixão, ou que me invocar no momento da morte ou de qualquer necessidade, receba o benefício da Tua bondade».
Ouviu-se uma voz que lhe disse:
— «Venha amada, minha esposa e veja! Os portões do céu abriram-se para você e para aqueles que celebrarem a sua paixão com as mentes devotas. Prometo a ajuda do céu para o que me pediste em oração»
Quando a santa foi decapitada, fluiu leite de seu corpo ao invés de sangue. Os anjos pegaram seu corpo e o levaram daquele lugar numa viagem de vinte dias até o Monte Sinai, onde foi enterrada com honras. (Emana ainda, continuamente de seus ossos, um óleo que recupera os membros de todos aqueles que são fracos.)
Ela sofreu sob o tirano Maxentius ou Maximinus, cujo reinado iniciou-se a redor de 310 D.C.. Como foi punido Maxentius por este e outros crimes, é contado no livro «História do Encontro da Cruz Sagrada».
Diz-se que um certo monge de nome Rauen, viajou ao Monte Sinai e lá permaneceu durante sete anos, dedicando-se ao serviço de Santa Catarina. Rezava para que fosse digno de receber uma relíquia de seu corpo. De repente partiu-se um dos dedos da mão da santa. O monge recebeu a dádiva de Deus com alegria e o levou para o mosteiro.
Diz-se também, que um homem que dedicara-se a santa Catarina e que muitas vezes lhe suplicava ajuda, tornou-se descuidado com o decorrer do tempo, perdendo sua devoção, não rezava mais para ela. Então de uma feita, quando rezava, teve uma visão de uma procissão de virgens que passava, dentre elas, uma aparecia mais resplandecente que as outras. Quando ela estava muito próxima a ele, cobriu o rosto, passando assim na sua frente com o rosto velado. Por ter ficado profundamente impressionado com sua beleza, ele perguntou quem era ela, ao que uma das virgens respondeu:
— «Aquela é Catarina, que você conhecia, mas agora, que parece não conhecê-la, ela passou com o rosto velado como uma desconhecida»
Vale notar que a abençoada Catarina é admirável sob cinco aspectos: primeiro, em sabedoria, segundo, em eloqüência, terceiro em constância, quarto na pureza da castidade e quito na dignidade privilegiada.
Ela é vista como admirável primeiramente, pois possuía todo tipo de filosofia.
A filosofia ou sabedoria se divide em teórica, prática e lógica. A teórica, segundo alguns pensadores, se divide em três partes - a intelectual, a natural e a matemática. Santa Catarina possuía no seu conhecimento dos mistérios divinos, conhecimento este que ela usou especialmente nos seus argumentos contra os retóricos, aos quais ela provou existir um Deus único e aos quais convenceu de que todos os outros deuses eram falsos.
Ela possuía a filosofia natural dentro de seu conhecimento de todos os seres abaixo de Deus, conhecimento este que ela usou nas suas diferenças com o imperador, como já vimos. A matemática demonstrou por seu desdém às coisas terrenas, pois de acordo com Boethius, esta ciência se preocupa com as formas abstratas, imateriais. Santa Catarina toma, adquire este conhecimento, quando afastou sua mente do amor material. Mostrou que o possuía quando, em resposta à pergunta do imperador sobre suas origens, ela respondeu: "Sou Catarina, filha do Rei Costus. Embora nascida na realeza..." e assim por diante; e a usou principalmente com a rainha, quando a encorajou a desprezar o mundo, a pensar pouco em si própria e a desejar o reino do céu.
A filosofia prática se divide em três partes, ou seja, a ética, a econômica e a pública ou política. A primeira ensina como fortalecer o comportamento moral e se adornar com virtudes, e, se aplica às pessoas como indivíduos; a segunda, ensina como colocar a vida da família dentro de uma boa ordem, se aplica ao pai como cabeça da família; a terceira, ensina como governar bem uma cidade, o povo e a comunidade, e, se aplica aos governantes.
Santa Catarina possuía este triplo conhecimento; o primeiro, visto que organizou a vida de acordo com o padrão moralmente correto, o segundo que regeu de uma maneira louvável o grande estabelecimento doméstico que ela herdou; o terceiro quando ela passou seus conhecimento ao imperador, instruindo-o sabiamente.
A filosofia lógica também se divide em três partes: a demonstrativa, a provável e a sofistica. A primeira pertence ao filósofos, a segunda aos retóricos, a terceira aos sofistas.
Catarina possuía este triplo conhecimento, visto que foi escrito que ela discutiu com o imperador sobre muitos assuntos através de uma variedade de conclusões silogística, metafórica, dialética e mística.
Em segundo lugar, a eloqüência de Catarina é admirável; era abundante quando pregava, como pudemos observar, extremamente convincente em seu raciocínio como quando fala ao imperador: "- O senhor fica maravilhado perante este templo construído pelas mãos dos artesãos." O poder de sua fala fica claro nos casos de Porphyrius e da rainha, a quem a doçura de sua eloqüência, atraiu à fé. Era habilidosa em convencer, como vimos ao conquistar os oradores.
Em terceiro lugar, consideremos sua constância: Era constante em face às ameaças, indo de encontro a elas com desdém, como quando o imperador a ameaçou e ela respondeu:
— «Quaisquer tormentos que tenha em mente, é perda de tempo." ou novamente, "- Faça qualquer coisa que tenha em mente fazer. Encontrar-me-á preparada...»
Era firme ao tratar-se de oferta de dádivas, que ela desprezava, como observamos quando o imperador prometeu colocá-la em segundo lugar em seu palácio, tendo somente a rainha acima dela, e ela respondeu:
— «Pare de falar tais coisas! É um crime, mesmo só em pensá-las!»
Demonstrou ainda sua constância sob tortura, superando-a, como notamos quando foi encarcerada ou estava na roda.
Em quarto lugar, Catarina era admirável pela sua castidade que ela preservou, mesmo em meio a condições que normalmente a colocaria em risco. Há cinco condições de risco presentes, tais como: a riqueza material, que esmorece a resistência, a oportunidade, que convida à indulgência, a juventude, que se tende à licenciosidade, a liberdade que isenta a restrição e, a beleza que seduz. Catarina teve todas estas condições e mesmo assim, preservou sua castidade. Tinha abundante riqueza material herdada dos pais; tinha oportunidade de ser patroa cercada por serviçais o dia todo; tinha juventude e liberdade vivendo em seu palácio sozinha.
Destas quatro condições dizia-se acima de tudo, que Catarina, quando tinha dezoito anos, morava sozinha num palácio e repleto de tesouros e servos. Ela era bela como foi relatado: "- Realmente ela era linda de se ver, era de uma beleza inacreditável.
Finalmente, era admirável pela dignidade privilegiada. Alguns santos receberam privilégios especiais: por exemplo, a visitação de Cristo (São João, o Teólogo), fluxo de óleo (São Nicolau), efusões (São Clemente) e, a audição de petições (Santa Margarida de Antioquia, quando rezou por aqueles que honrassem sua memória). A história de Santa Catarina, mostra que possuía todos estes privilégios.
Algumas pessoas levantaram dúvidas se o martírio de Santa Catarina aconteceu sob o reinado de Maxentius ou de Maximinus. Neste período, havia três imperadores, a saber, Constantino, que sucedeu seu pai como imperador, Maxentius, o filho de Maximianus, nomeado imperador pela guarda pretoriana em Roma e Maximinus, que se tornou césar em parte do leste. De acordo com as crônicas, Maxentius tiranizou os cristãos em Roma, Maximinus no leste. Parece então, como afirmam alguns autores, que um erro do escritor, pode ser a razão de colocar Maxentius no lugar de Maximinus.
Nota:
[*] Nota da tradução português - Artes liberais é o nome dado pelos antigos às disciplinas consideradas dignas do homem livre e que não tinham por objetivo o ganho ou lucro.

domingo, 18 de novembro de 2012

Celebração de Santa Isabel da Hungria no Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca



Após a realização do Bazar de Santa Isabel da Hungria nos dias 06 e 13 de novembro, os objetivos foram alcançados, com o pleno apoio de nosso assistente espiritual Frei Vitório Mazucco e dos frades responsáveis pela Portaria do Convento e com a participação das pessoas que procuram o Santuário nas terças-feiras.
Os trabalhos tiveram o objetivo da divulgação das Missões Franciscanas, incrementar a animação vocacional da Ordem Franciscana Secular e o conhecimento e divulgação da devoção à Santa Isabel da Hungria, com a arrecadação do óbolo e da renda dos dias do bazar revestidos em benefício das Missões Franciscanas.


No dia 17 de novembro às 10:00 horas no Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca foi celebrada a Eucarística em honra de  nossa padroeira que foi presidida pelo guardião do Convento Frei Ivo Müller que destacou, dentre outros aspectos, o amor de Isabel ao Cristo crucificado e a sua vida de caridade para com os órfãos, pobres e doentes.





Na sua brilhante homilia Frei Ivo falou sobre a memória de uma mulher de Deus, que devido sua vida de santidade teve o seu nome em muitas instituições de caridade e foi declarada como Padroeira da Terceira Ordem Regular (TOR) e da Ordem Franciscana Secular (OFS). Isabel da Hungria teve um casamento feliz. Seu marido era sincero, paciente, inspirava confiança e era amado pelo povo. Ele nunca colocou obstáculos à vida de oração, penitência e caridade de Isabel sendo, ao contrário, seu incentivador. O frei disse Isabel por suas virtudes foi admirada por São Francisco de Assis e que Isabel construiu na cidade de Marburgo (Alemanha) um Hospital dedicado ao tratamento de pobres e doentes leprosos. Além de ajudar com seu dinheiro muitos asilos e orfanatos, os quais visitava com frequência. Isabel começou muito cedo a distinguir-se na virtude. Em toda a sua vida foi consoladora dos pobres; a dada altura dedicou-se inteiramente aos famintos e, junto de um castelo seu, mandou construir um hospital onde recolhiam muitos enfermos e estropiados. Distribuía largamente os dons da sua beneficência, não só aos que ali acorriam a pedir esmola, mas em todos os territórios da jurisdição de seu marido, chegando ao ponto de gastar nessas obras de assistência todas as rendas provenientes dos quatro principados e vendendo por fim, para utilidade dos pobres, todos os objetos de valor e vestes preciosas.
Isabel costumava visitar duas vezes por dia, de manhã e à tarde, todos os seus doentes, ocupando-se pessoalmente dos que apresentavam aspecto mais repugnante. Dava de comer a uns, deitava outros na cama, transportava outros aos ombros e dedicava-se a todo o gênero de serviço humanitário.



Entre os participantes da celebração, além dos irmãos da Fraternidade de Santo Antônio do Largo da Carioca, estiveram presentes o irmão ministro Antônio Alves e vários irmãos da Fraternidade de Nossa Senhora da Paz, do bairro de Ipanema, a irmã Valéria Pinheiro, ministra da Fraternidade de São Francisco da Penitência do Largo da Carioca e a irmã Paulina, ministra da Fraternidade Apóstolo São Pedro, do bairro carioca de Cavalcante.





Ao final da celebração, Frei Ivo Müller abençoou as rosas e pães que foram distribuídos para todos os presentes.
Oremos para que Santa Isabel da Hungria nos proteja e seja sempre para nós, leigos franciscanos, o exemplo a seguir no caminho do fraternismo universal e da caridade para com nossos irmãos mais necessitados, vitimados por qualquer tipo de exclusão.