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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Uma existência transparente

Quarta-feira de Cinzas
Joel 2, 12-18, 2Coríntios 5, 20-6,2; Mateus 6, 1-6. 16-18
Começando o tempo favorável da Quaresma
Começamos o santo e propício tempo da Quaresma.  Durante quarenta dias, os cristãos, lá onde vivem, lá onde são discípulos do Senhor, vão viver um tempo caracterizado pelo empenho na linha da conversão evangélica.  Somos companheiros de Jesus que vai para o deserto preparar-se para sua missão, deserto espaço de silêncio, de interiorização, mas também de combate contra o espírito do mal. Na oração de abertura da Missa de hoje, pedimos que “a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal”.  Arregaçamos as mangas e organizamos, da melhor maneira possível, essa riquíssima quadra do ano que nos leva até o esplendor da manhã de Páscoa, centro de nossa fé.

Joel, o profeta, nos convida a rasgar os corações e não as vestes. Uns e outros experimentamos um sério mal-estar: não conseguimos ser fiéis aos carinhos e às manifestações do Senhor.  Há um sentimento de remorso que, por vezes, toma conta de nós.  Será preciso  “rasgar” os corações, mudar o interior para que brilhante seja o exterior. É tempo de jejuarmos de nós mesmos, de nossos interesses pequenos, de nossas preferências tacanhas. Há um convite explícito a que visitemos o coração, nutramos sentimentos nobres de arrependimento e formulemos propósitos de conversão.  Estamos  começando o tempo favorável. Paulo nos diz: “Em nome de Cristo  nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus”.  Não se trata apenas da recepção do sacramento da reconciliação numa rápida celebração quaresmal.  Trata-se de entrar no caminho dos penitentes, daqueles que têm o amargo como doce, e o doce como amargo.  O Apóstolo prossegue: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”.

Os cristãos se caracterizam por uma lisura de vida, por um comportamento sem duplicidade,  por uma existência transparente.  Não cultivam a fachada, não se “maquiam” com água benta e piedosas palavras. Não fazem suas obras diante dos homens. Quando operam o bem, quando dão esmolas, quando se engajam em  promover a justiça, em valorizar o ser humano não tocam a trombeta.  Fazem o bem sem alarde, sem esperar recompensa. Quando rezam, entram no quarto e se dirigem ao Pai sem adereços e pompas. O Pai ouve os seus no silêncio.  Quando  jejuam, quando se privam das coisas lícitas para fortalecer o interior mostram um semblante alegre  e exalam  o perfume da discrição.

Assim, começamos a viver o tempo da Quaresma.  Colocamos cinza em nossas frontes.  Queremos nos recordar que somos pó e nada mais que pó, mas que somos amados por aquele que transforma esse pó que somos nós em luminosos cidadãos de seu coração e de seu reino.  O pedido da Quaresma é bem este:  “Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um  espírito decidido”.
Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM         http://www.franciscanos.org.br/?p=32870

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