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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um milagre em nossa vida

Celebramos com muita simpatia a Santo Antonio no dia 13 de junho, ele é um dos santos franciscanos mais famosos e sua devoção é universal, em especial no Brasil, temos um carinho muito grande por ele. Destacaremos neste artigo a Mensagem de João Paulo II por ocasião dos 800 anos de nascimento de Santo Antônio.Vaticano, 12 de junho de 1994, no 16° ano de nosso Pontificado. “Para que esta esperança comum se realize, é necessário que todos os pastores e os fiéis redescubram, por uma devoção sincera, a pessoa de Santo António, estudem seu itinerário espiritual, saibam descobrir suas virtudes, escutem docilmente a mensagem que brota de sua vida.

Sua existência terrestre durou apenas 36 anos. Ele passou os primeiros catorze anos na escola episcopal de sua cidade. Aos quinze anos, ele decidiu entrar para os Cônegos Regulares de Santo Agostinho; aos 25 anos, ele foi ordenado sacerdote: dez anos de vida caracterizados por uma busca ardente e rigorosa de Deus, por um estudo intenso da Teologia, por um amadurecimento e progresso interior.

Mas Deus continuava a interrogar o espírito do jovem padre Fernando: este era o nome que ele tinha recebido na fonte batismal. No Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, ele conheceu um pequeno grupo de Franciscanos da primeira hora, que de Assis iam para Marrocos para lá testemunhar o Evangelho, mesmo que lhes custasse a vida. Nesta circunstância, o jovem Fernando experimentou uma nova aspiração: a de anunciar o Evangelho aos povos pagãos, sem deter-se diante do risco de doar a sua vida. No outono de 1220, ele deixou seu mosteiro e se colocou no seguimento do Pobrezinho de Assis, tomando o nome de Antônio. Ele partiu, então, para Marrocos, mas uma grave doença obrigou-o a renunciar a seu ideal missionário. Então, começou o último período de sua existência, ao longo do qual foi conduzido por Deus por caminhos que ele jamais tinha pensado em percorrer. Após tê-lo arrancado de seu solo natal e afastado de seus projetos de evangelização no além-mar, Deus o conduziu a viver o ideal da forma de vida evangélica em terra italiana. Santo António viveu a experiência franciscana apenas onze anos, mas ele assimilou o ideal a tal ponto que o Cristo e o Evangelho se tornaram para ele uma regra de vida encarnada no quotidiano. Ele disse num sermão: "Por ti nós deixamos tudo e nos fizemos pobres. Mas, porque és rico, nós te seguimos para que nos enriqueças... Nós te seguimos, como a criatura segue o Criador, como os filhos seguem o Pai, como as crianças seguem a mãe, como os famintos o pão, como os doentes o médico, como aqueles que estão fatigados a cama, como os exilados a pátria" (Sermones II, p. 484). Toda a sua pregação foi um anúncio contínuo e incansável do Evangelho "sine glossa". Um anúncio veraz, corajoso, límpido. A pregação era sua maneira de acender a fé nas almas, de purificá-las, de consolá-las, de iluminá-las (ibid. p. 154).

Ele construiu sua vida sobre o Cristo. As virtudes evangélicas, especialmente a pobreza em espírito, a mansidão, a humildade, a castidade, a misericórdia, a coragem da paz foram temas constantes de sua pregação. Seu testemunho foi tão luminoso que, em minha peregrinação ao seu santuário em Pádua, no dia 12 de setembro de 1982, eu quis apresentá-lo à Igreja, como já o havia feito o Papa Pio XII, com o apelativo de "homem evangélico". De fato, Santo Antônio ensinou de uma maneira eminente, fazendo do Cristo e do Evangelho uma referência constante da vida quotidiana e das opções morais, particulares e públicas, sugerindo a todos que alimentem nesta fonte a coragem de um anúncio coerente e atraente da mensagem da salvação. Precisamente porque estava cheio de amor pelo Cristo e pelo Evangelho, Santo António "ilustrava com espírito de amor a divina sabedoria que ele tinha tirado da leitura assídua das Sagradas Escrituras" (Pio XI, Carta Apost. "Antoniana sollemnia", 1.3.1941). A Sagrada Escritura era para ele a "terra parturiens" que faz nascer a fé, funda a moral e atrai a alma por sua doçura (cf. Sermones, Prólogo, 1,1). Recolhida numa meditação plena de amor pela Sagrada Escritura, a alma se abre - segundo sua expressão - "ad divinitatis arcanum". No curso de seu itinerário para Deus, António nutriu seu espírito neste segredo insondável, encontrando aí sua sabedoria e sua doutrina, sua força apostólica e sua esperança, seu zelo infatigável e sua ardente caridade. É da sede de Deus, do anseio por Cristo que nasce a Teologia; para Santo Antônio, ela era a irradiação de seu amor por Cristo: uma sabedoria de um valor inestimável e uma ciência de conhecimento intuitivo (cognição); um cântico novo "in aure Dei dulce resonans et animam innovans" (cf. Sermones, III, 55, e I, 225). Santo Antônio viveu uma maneira de estudar com uma paixão que o acompanhou ao longo de toda a sua vida franciscana. O próprio São Francisco o havia escolhido para ensinar "a santa Teologia aos irmãos", recomendando-lhe, no entanto, que cuidasse nesta tarefa, de não extinguir seu espírito de oração e de devoção (cf. Fontes Franciscanas, p. 75). Ele empregou todos os meios científicos, que então se conheciam, para aprofundar o conhecimento da verdade evangélica e tornar seu anúncio mais compreensível. O sucesso de sua pregação confirma o fato de que ele soube falar a linguagem de seus ouvintes, conseguindo transmitir de uma maneira eficaz o conteúdo da fé e fazendo com que a cultura popular de seu tempo acolhesse os valores do Evangelho.” http://www.capuchinhas.com.br/


 O cônego Fernando se torna Frei Antônio

Na antiga tradição dos religiosos, ao entrar para a vida Religiosa, mudava-se o nome para significar: nova identidade, nova família, nova escolha, nova missão, novo chamado. O jovem Fernando de Bulhões deixa o seu nome e escolhe outro: Antônio! Nome que se tornará conhecido e copiado no mundo todo! Frei Antônio tornar-se-á Santo Antônio! A nova escolha lhe trouxe santidade e fez de seu nome uma emoção e devoção. Por que o nome Antônio? Escolheu este nome em homenagem e imitação do santo padroeiro do convento franciscano de Coimbra que acolheu: o eremita Santo Antão. Antão, Antônio é derivativo de “Altitonante”, isto é, aquele que ressoa bem, que troveja lá no alto, que dá estrondo, que é retumbante, que soa alto, que se pode escutar com clareza, altissonante! Santo Antônio! Aquele que fez ressoar a Palavra de Deus com sabedoria, com profundidade, com clareza! Santo Antônio! A trombeta do Evangelho! Grande orador sacro, autor de grandes sermões que soube ser um bom pregador popular quanto um professor de teologia. Deus falou através dele!
Fr. Vitório Mazzuco Filho, OFM. carismafranciscano.blogspot.com




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