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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Diversos Milagres que fazia com sinal e a virtude da Santa Cruz


O Crucifixo amado correspondeu à amante que, acesa em tão grande amor pelo mistério da cruz, foi distinguida com sinais e milagres pelo seu poder. Quando fazia o sinal da cruz vivificante sobre os enfermos, afastava milagrosamente as doenças. Vou contar alguns casos, entre tantos.

São Francisco mandou a dona Clara um frade enlouquecido, chamado Estêvão, para que traçasse sobre ele o sinal da cruz santíssima, pois conhecia sua grande perfeição e venerava sua grande virtude. A filha da obediência fez sobre ele o sinal, por ordem do pai, e deixou-o dormir um pouquinho, no lugar onde ela mesma costumava rezar. E ele, livre do sono daí a pouco, levantou-se curado e voltou ao pai, liberto da loucura.

Mateusinho, um menino de três anos da cidade de Espoleto, tinha enfiado uma pedrinha na narina. Ninguém conseguia tirá-la do nariz do menino, nem ele podia expeli-la. Em perigo e com enorme angústia, foi levado a dona Clara e, quando foi marcado por ela com o sinal da cruz, soltou de repente a pedra e ficou livre.

Outro menino, de Perúgia, tinha o olho velado por uma mancha e foi levado à santa serva de Deus. Ela tocou o olho da criança, marcou-a com o sinal da cruz e disse: Levem-no a minha mãe, para fazer nele outro sinal da cruz". Sua mãe dona Hortolana seguira a plantinha, entrara na Ordem depois da filha e, viúva, servia ao Senhor no jardim fechado com as virgens. Ao receber dela o sinal da cruz, o olho do menino se livrou da mancha, e ele viu clara e distintamente. Clara disse que o menino tinha sido curado por mérito de sua mãe; a mãe deixou em favor da filha o crédito do louvor, dizendo-se indigna de coisa tão grande.

Uma das Irmãs, chamada Benvinda, tinha suportado quase doze anos embaixo do braço a chaga de uma fístula que soltava pus por cinco orifícios. Compadecida, a virgem de Deus Clara aplicou seu emplastro especial do sinal de salvação. Foi só fazer a cruz e, de repente, ela ficou perfeitamente curada da velha úlcera.

Outra Irmã, chamada Amata, jazia doente de hidropisia havia treze meses, consumida também pela febre, a tosse e uma dor de lado. Compadecida dela, dona Clara recorreu àquele nobre sistema de sua arte medicinal: marcou-a com a cruz no nome de Cristo e no mesmo instante devolveu-lhe a saúde completa.

Outra serva de Cristo, oriunda de Perúgia, de tal modo perdera a voz ao longo de dois anos que mal podia articular palavra audível. Na noite da Assunção de Nossa Senhora, teve uma visão de que dona Clara a curaria e esperou ansiosa pelo dia. Quando amanheceu, correu à madre, pediu-lhe que a marcasse com a cruz e recuperou a voz logo que foi assinalada.

Uma Irmã chamada Cristiana tinha sofrido por muito tempo de surdez em um ouvido e experimentara em vão muitos remédios para o mal. Dona Clara fez-lhe o sinal na cabeça com clemência, tocou-lhe a orelha e na mesma hora ela recuperou a faculdade de ouvir.

Era grande o número de Irmãs doentes no mosteiro, aflitas por vários achaques. Clara foi vê-las como de costume, com seu remédio habitual, e, em cinco vezes que fez o sinal da cruz, curou cinco na hora. Por esses fatos, fica patente que no coração da virgem estava plantada a árvore da cruz, cujo fruto restaura a alma, cujas folhas oferecem remédio para o corpo.

Fontes Franciscanas e Clarianas - Trecho de Biografias / Legendas de Santa Clara – Págs. 1809/1810 [32 a 35] – Editora Vozes, 2004.

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