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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Os meios de santificação

Por que usamos esta expressão?  Afinal, em nossos dias, fala-se ainda em santificação? É minha vez de perguntar: o que você entende por santificação? Espero que não esteja imaginando um santo do altar, com coroa brilhando sobre a cabeça, um lírio ou palma do martírio ou outro instrumento na mão.  Mas daquela santidade de que fala o Vaticano II: “... todos os cristãos, de qualquer condição ou estado, são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade, pela qual é perfeito o próprio Pai” (1).  Ou ainda, na mesma constituição: “Se, pois, na Igreja, nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade...” (2). Afinal todo o cap. V da mesma Lumen Gentium, que se intitula: Vocação universal à santidade na Igreja.  Porque esta santidade, segundo São Paulo, é o desejo do Pai: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (I Tess. 4,3).  Santidade significa, pois, o quê?

            É a graça que acolhemos em nós e a fazemos frutificar em nós.  Santidade não é rigorosamente alguma coisa que oferecemos a Deus, mas uma graça que Deus nos dá e que nós acolhemos.  Só Deus é santo.  Nossa santidade é participação desta santidade de Deus.  Nossa santidade não é o final de alguma coisa, o término de uma evolução.  Santidade está em nós, a carregamos conosco, nós a vamos edificando no correr de nossa vida.  É o encontro com Deus, com um Deus que está em nós, que age em nós, que vive em nós.  Um Deus, como diz o próprio Senhor no Evangelho, um Deus que veio a nós e fez morada em nós.  E de nossa parte é a entrega total a este Deus.

            O caminho para realizar esta santidade é o seguimento de Cristo, o Cristo do Evangelho, que a São Francisco apareceu como o amor que se faz homem e por isso deve ser o centro e a razão de todo o amor.  Um Deus que se faz criatura.  Um Deus que se faz pobre.  Um Deus que se fez visível entre nós.  Que falou claro no Evangelho.  No fundo, o segredo mesmo de toda a santidade é o AMOR. Deus é amor e vem ensiná-lo ao homem.  O homem convidado a amar responde com amor.  Quem ama está em Deus e Deus está nele, diz São João.

            Por isso, as exigências do Evangelho, como as compreendeu São Francisco, não são um amontoado de coisas extraordinárias, fora do comum, sobreumanas.  Mas uma perfeita harmonia com a vontade do Senhor, que aparece, nos apelos que nos são dirigidos, no dia-a-dia de nossa vida.  São as bem-aventuranças que devem ser traduzidas no nosso relacionamento diário, com toda a simplicidade e toda a naturalidade, num esforço continuado de imitar a Cristo.  Por isso, a constante pergunta: Senhor, que quereis que eu faça?  E as coisas e os homens e os acontecimentos e a voz de Deus que fala em nós nos vão mostrando o que devemos fazer.

            São Francisco, lendo o Evangelho, descobriu sua forma de vida.  Ele nada mais queria.  Não sentia necessidade de maiores explicações.  De mais normas.  De outras regras.  Porque, ao seu ver, quem encontrara o Cristo, que mais poderia buscar?  Se tinha a norma evangélica, que outra norma poderia substituir ou explicitar estes ensinamentos?  Poderíamos dizer: temos o Evangelho.  Vamos a ele.  De mais nada necessitamos.  Ele contém todos os meios.  È o mapa mais minucioso e mais bem traçado e sinalizado para a casa do Pai.  Tudo isso é correto.  Mas não esqueçamos que não somos feitos do mesmo estofo de São Francisco.  Apesar de nossa boa vontade, necessitamos sempre de estímulo e encorajamentos.

            Assim sendo, necessitamos, sempre de novo, rever nossas posições.  Recordar nossa finalidade.  Reexaminar nossos caminhos e nossos marcos condutores.  Daí, porque tentaremos explicitar alguns meios de santificação.  Entendendo por meio de santificação alguns pontos básicos, em torno dos quais se desenvolve nossa experiência religiosa e os quais devem estar sempre frente a nossos olhos, para que não percamos de vista nossa missão fundamental, a vontade do Pai: nossa santificação.  Não podemos esgotar estes meios, dando uma lista completa dos mesmos.  Nem pretendemos que os apresentados por nós sejam os indispensáveis.  Apenas queremos elencar alguns meios que nos parecem sumamente necessários para que tenhamos claro nosso objetivo e sintamos que estamos seguindo os passos de São Francisco, porque é fundamental para nós franciscanos viver o Evangelho dentro do espírito com que o viveu São Francisco.  Vamos, pois, a estes meios: vida em fraternidade; o apostolado; a oração; a meditação; leitura; vida sacramental e as devoções.

Fonte:

Espiritualidade Franciscana Secular – Documentos Franciscanos XIII pág.18/19 – CEFEPAL – Brasil – 1974.

 continua

 

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