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domingo, 26 de agosto de 2012

Conclusão


Trecho da CONCLUSÃO do Autor:

“Senti-me inicialmente muito longe dele, pela distância do tempo e do estatuto social. Como, mesmo com os privilégios do historiador, me aproximar de um rei e de um santo? Depois, através dos documentos e da análise de sua produção, eu o senti mais e mais próximo.  Não o vi em sonho, mas creio que poderia fazê-lo, como Joinville.  E foi o que mais e mais senti, essa atração, a fascinação da personagem.  Creio ter compreendido que muitos tenham tido vontade de vê-lo, de ouvi-lo, de tocá-lo.  Ao prestígio da função, que seus predecessores Capetos tinham cuidadosamente construído, somava-se sobretudo um carisma pessoal, o de um rei que não tinha necessidade de usar a coroa e as insígnias do poder para impressionar, o do rei, esse grande, magro e belo Luís, dos olhos de pomba, que frei Salimbene de Parma viu chegar descalço na poeira do caminho que levava a Sens.  Uma personagem impressionante para além de sua aparência, uma das ilustrações mais vigorosas da teoria weberiana do carisma, uma das mais notáveis encarnações de um tipo, de uma categoria do poder: vontade de realizar um tipo de príncipe ideal; o talento de ser ao mesmo tempo profundamente idealista e consideravelmente realista; a grandeza na vitória e na derrota; a encarnação de uma harmonia contraditória, na aparência, entre a política e a religião, um homem de guerra pacifista, um construtor do Estado, sempre a ponto de se inquietar com o comportamento de seus representantes; a fascinação da pobreza, sendo pessoa da maior condição; a paixão pela justiça, mesmo respeitando por completo uma ordem profundamente inigualitária; a união da vontade e da graça, da lógica e do acaso, sem os quais não há destino.

Do Livro: São Luís Biografia, pág. 788 – Jacques Le Goff, Tradução de Marcos de Castro, Editora Record, 1999.
O projeto do livro São Luís levou mais de dez anos, uma gestação lenta e cuidadosa a que poucas biografias têm direito.  A obra inventa um conceito, o de “biografia total”.  Para Le Goff, trata-se de articular três perspectivas: na primeira parte do livro, ele apresenta os resultados da sua tentativa de biografia, com os principais períodos da vida tal como Luís a construiu.  Na segunda, ele parte para o estudo crítico da produção da memória do rei pelos seus contemporâneos, e na terceira, finalmente, explora as principais perspectivas que fazem de Luís IX um rei ideal e único para o século XIII, um rei que recebe a auréola da santidade.


Jacques Le Goff (Toulon, 1 de janeiro de 1924) é um historiador francês especialista em Idade Média. Autor de dezenas de livros e trabalhos; membro da Escola dos Annales, se empregou na antropologia histórica do ocidente medieval.
Antigo estudante da École Normale Supérieure, estudou na Universidade Charle de Prague em 1947-48,professor de história em 1950 e membro da École Française de Rome, foi nomeado assistente da Faculté de Lille (1954-59) antes de ser nomeado pesquisador noCNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), em 1960. Em seguida, mestre-assistente da VI seção da École pratique des hautes études (1962) - sucedeu Fernand Braudel no comando da École des hautes études en sciences sociales, onde ele foi diretor dos estudos. Cedeu seu lugar a François Furet em 1967. Na qualidade de diretor de estudo na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Jacques Le Goff publicou brilhantes estudos consagrados, que renovaram a pesquisa histórica, sobre mentalidade e sobre antropologia da Idade Média. Seus seminários exploraram os caminhos então novos da antropologia histórica. Ele publicou os artigos sobre as universidades medievais, o trabalho, o tempo, as maneiras, as imagens, as lendas etc. VIHS
Co-diretor da Escola dos Annales, dirigiu os estudos ligados à “Nova História” , como a coletânea Faire de l’histoire em 1977 e o volumoso Dictionnaire de la Nouvelle Histoire publicado no ano seguinte, levando à revolução dos Annales. Sinal do sucesso de suas teses, ele atuou no renovamento pedagógico de história participando da redação de um manual escolar.
Nos anos 1980 ele trabalhou em uma biografia de São Luís, publicada em 1996. Tudo em recordações das etapas essenciais do reinado de Luís IX, ele renovou o gênero biográfico pelos seus métodos e suas reflexões sobre a possibilidade de conhecer realmente um personagem da Idade Média.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Le_Goff

Imagem pertencente ao acervo do Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca - Rio de Janeiro/RJ.



Ó Deus que transferistes São Luís dos cuidados de um reino terrestre à glória do Reino do Céu, concedei-nos, por sua intercessão, desempenhar nossas tarefas de cada dia, e trabalhar para a vinda do vosso Reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Patrono da OFS
Ordem Franciscana Secular
Festa: 25 de agosto

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